quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Empurrãozinho


 - Posso dizer qualquer coisa aqui? - Ela disse.
- menos anunciar que tem um cururu aqui - ele disse.
- Então... eu posso ficar calada? - Ela disse, abaixando o tom em algumas oitavas.
- Qual parte de 'dizer' eu não entendi? - Ele fez aquela cara de incompreensão que eu não gostava.
- Posso ir pra casa? - Ela disse, olhando para baixo. Não estava com coragem de olhar pra ele. Provavelmente ele iria dá um carão só por ela ter pedido isso.
Ele se ajoelhou, ficando com os olhos  na mesma altura que a dela e disse: - você pode ir para casa sim - falou isso bem calmo e só continuou a falar quando ela olhou para ele - mas muitos estão esperando que você fale. Não vai ser difícil. Não precisa ter medo. -
- Você vai rir? - ela disse, com uma pontinha de dúvida na voz.
- Só se você quiser que eu ria, Sophia. - ele disse isso com o olhar mais tranquilizador possível. Passou a palma da mão direita sobre os cachos de sua filha. Ela riu. Foi uma excelente oradora da turma de alfabetização da Escola saber.  

< moral: As vezes só é preciso de um empurrãozinho para as coisas darem certo >

Um comentário:

  1. Reli essa agora.
    Escrevi essa em Agosto, mas ao lê-la foi como se tivesse sido escrita hoje. Brilhante.
    Eu diria que escrevi 11 mil histórias para o cara que se encontra como 'pai' para esta história. O que mudou hoje? Algumas coisas, mas eu não sei se posso escrever desse jeito, desse modo tão carinhoso, tão cativante, para outro cara. Talvez eu consiga escrever, mas acho que poderei lembrar daquele que um dia foi o meu mundo.
    Adorei essa história. Eu havia esquecido dela. Só entrei para ler por ela ter sido uma das postagens que foi visualizada hoje. Mas quando comecei a ler, lembrei.
    O tempo muda, o tempo voa, mas o meu sentimento ainda está vivo nas minhas linhas.

    ResponderExcluir