O rio, de um tom vermelho vivo, lembrava sangue, transbordava corpos... Vestígio do grande ataque no Recife Antigo...
Não havia as lágrimas, não havia o desespero, nada além dos corpos boiando e do tom superficial no rio...
Que desastre para uma véspera Natalina.
Onde estavam as vozes? Onde estavam os repórteres que não haviam denunciado a grande inglória Recifense?
Estavam todos com medo...
Temiam uma nova invasão, temiam sofrer o mesmo destino daquelas centenas de corpos...
Os celulares tocavam... E ninguém ia atender...
Os carros parados... Os semáforos abriam... Não havia um automóvel que andasse...
E a dor... O esquecimento... Os familiares começavam a estranhar...
Onde estavam seus filhos, maridos, amigos? Haviam marcado para se encontrar para a ceia e simplesmente não apareceram?
Na net já possuía algumas cenas conturbadas que tinham sido enviadas por alguns... As 7 horas da noite... Foi a hora exata... Do grande ataque... Ônibus... Empresas... Casas... Nada foi esquecido naquela margem do rio...
E os corpos continuavam a boiar, como uma grande sopa de caldo avermelhado...
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