Ela olhou e disse - gostaria de ser um
pensamento e explorar o que anda em sua cabeça, senhor príncipe.
Ele, como quem não queria nada, falou - O que gostarias de saber?
Ela, meio sem jeito, procurou em seus
pensamentos uma coisa, apenas uma, que fosse fácil de dizer, que ela não
tivesse a chance de enrubescer. Mas todos os questionamentos, todas as dúvidas,
todos os desejos, seus mais sinceros anseios iria denunciar seu
verdadeiro sentimento. Ele a olhava de uma maneira bem curiosa. Saberia ele o
que se passava em sua mente? Seria ele capaz de decodificar as alterações da
minha face? Isso seria terrível... Seria terrível? Essa dúvida fez com que
um leve sorriso aparecesse no meu rosto. Seria interessante se eu
perguntasse a ele... Seria estranho se eu dissesse 'amarias uma plebeia como
eu? Ou nem um beijo na minha mão darias?'. Essa pergunta pode parecer
estranha para um leitor do século XXI, o beijo na mão, como eu posso muito bem
explicar, era o sinal de gentileza na idade média, era o mesmo que beijos na
bochecha hoje em dia.
Ele olhava para mim, esperando a minha resposta.
Ele sabia que viria, mas não sabia quanto tempo isso iria levar. Ele se
aproximou e tocou na mão dela, pois ela estava amassando algo e não parava de
mexer. 'Taria, ela, bem?', ele pensou.
Decidi perguntar, mas a mão dele tocara na
minha. Nossos olhares se cruzaram e, pelo o que pareceu, duraram meio século.
Minha boca entreabriu, meus olhos focaram a linha da boca dele. Minha
respiração acelerou o que fez meus seios subirem e descer de uma maneira
ritmada, que acelerava a cada instante. Ele baixou a cabeça dele um pouco, de
uma maneira que alinhou seus olhos aos meus. "Há algo errado, bela
donzela?", o que eu poderia responder? Em minha
mente passava doze mil pensamentos diferentes. Minha mão, que antes estava amassando
algo, subiu, de uma maneira nada
tolhida, sobre o peitoral dele. Um sorriso intencionado surgiu no rosto dele.
Ele alinhou, mas não tocou, seus lábios aos meus. Senti sua respiração
acariciar meus lábios. Nossa respiração se tornou quase única.
Nossos hálitos se misturavam... Um barulho no corredor fez ele virar
o rosto, mas antes que eu o fizesse, ele já tinha virado e colado a mão direita
no meu queixo. "Não há nada que seja mais interessante de olhar do que você.".
Eu sabia que eu estava vermelha. Ele tinha dito aquilo, numa confusão de
olhares. Estava claro a dúvida que a visão dele estava fazendo. Ele não sabia
se olhava para meus olhos ou para a minha boca. Percebi que a respiração dele
estava tão alterada quanto a minha. O beijo aconteceu. Algumas sensações
estranhas, e claramente maravilhosas, estavam ocorrendo em meu corpo, algo que
pulsava na minha cabeça, na minha cabeça e no centro de minha feminidade.
Possessivamente, e altamente agradável, ele me abraçou. Meu coração estava
completamente descompassado. O que iria acontecer agora? Será que isso iria,
realmente, importar? Céus, quantas dúvidas! Será que eu realmente desejava
fazer aquilo? Ah, sim, eu desejava. Ain! Que ódio! Sentia que iria ser usada. Será
que eu não queria ser? Não! Não mesmo! E o beijo foi interrompido. Ficamos
olhando um para o outro. Me lasquei! Eu pensei. O que ele iria pensar de mim
agora? Isso seria realmente importante? Claro que era! Mil vezes droga. Droga,
droga, droga! Me senti como a última das leoas da terra, onde todos ficavam a
procura para não achar. Aos poucos minha respiração foi voltando para o
estado normal. Ele olhava para mim de uma maneira menos selvagem agora...
Ele disse: - Dirás para mim o que pensar? Ou
terei que adivinhar? -
Eu preferia mil
vezes que ele tentasse, mas antes mesmo de eu dizer uma palavra, ele
proferiu: - Meu nome é Príncipe Pedro. Acho que me antecipei. Minha intenção
era saber... Era conhecer um pouco mais sobre você, minha doce jovem. – se isso
era conhecer, o que irá ser um encontro? Céus! Agora era que minha mente estava ainda mais embolada. – palavras foram
criadas para serem usadas, sim? Então... Sugiro que comeces a falar. Minha cara.
– Ele finalizou.
Seria mais simples se eu fosse muda, assim
pegaria um papel e assim escreveria... Tola, tola, tola! Que pensamento era
esse? Eu estava ali por um propósito. Eu tinha sido escolhida para tentar uma aliança entre os dois reinos. Ou melhor,
eu tinha sido enviada para isso. Era uma aliança que interessava aos dois
reinos. Eu nasci um pouco depois da morte da rainha. Meu pai era o Rei Carlos
II e tinha que arranjar um meio que soubesse que me deixaria segura. Havia
outros filhos na linha da sucessão ao
trono e ele temia pela minha segurança, afinal, eu tinha sido um prazer a parte
do casamento e tinha nascido. Em troca, o outro reino teria uma parte de terra
muito fértil e outras coisas que eu não me interei muito bem. Eu sabia que isso
seria o meu bem, mas ser beijada daquele jeito tinha me deixado tonta.
Ele observava cada palavra não dita que passava
na feição dela. Seria uma retardada? Uma maluca? Eu não acredito. Pensei que
ela não seria...
- Meu nome é Sophia...
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