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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Ele - episódio 1

Ele olhava tranquilamente algo pela janela...
Será que tinha ideia de quão sexyy ele se encontrava com aquela camisa xadrez? O dia fazia um calor grande e, mesmo com o ar condicionado ligado, ele mantinha alguns botões soltos...Eu estava aqui sentada e ele naquele olhar perdido da janela... O calor foi aumentando... Isso não pode ficar assim... Me levantei sem tirar os olhos dele, e ele ainda continuava olhar para aquela bendita vista... Que coisa! Me virei e nem fechei o computador.

- para onde você pensa que você vai? - O tom de chefe era claramente percebido em cada palavra que ele pronunciava. Parei de andar, respirei fundo três vezes, coloquei um sorriso nos meus lábios e virei para ele.

- me lembrei que eu tenho que fazer uma ligação. - ótima ideia, pensei.

- e como pretendes fazer essa ligação? - um sorriso foi brotando nos olhos dele. Passava um ar triunfante. Parecia que ele havia ganhado algo.

- Com o meu celular, horas!

- Seu celular está carregando, olhe, está plugado em seu pc. - Droga, droga e droga! Havia esquecido desse pequeno detalhe. Instintivamente procurei algo para dizer. - Ainda não me respondeu. Onde você vai? - meu olhar, mais uma vez, se prendeu na parte exposta, a camisa, do jeito que estava, despertava o desejo de colocar as mãos sobre ela... - Estás com um sorriso bobo, sabia? - Céus! Que inferno! Olhei para ele. Eu não deveria me sentir assim... Caramba, era apenas a droga do meu chefe. Bem que ele poderia ser velho, cabelos brancos e tudo! Mas não... Tinha que ser um recém-formado? O que será que ele tinha para ser contratado tão rápido para um cargo tão alto? Ele se mostrara bastante inteligente na última reunião, tinha algo em seu sorriso... Ele tinha confiança. Caramba! Não posso pensar... Que droga.

- Está acontecendo algo? - ele disse se aproximando de mim. Claro que está!

- I want to take you to bed. I want to see if you're all this ...

- O que você disse?

- Nada. 

-Meu inglês não é tão bom... - não sei se isso era um alívio ou se ele estava querendo me testar. Eu não queria mostrar para ele que  eu trabalhava em traduções na empresa, eu pensei que, só seria mais fácil... Ele tinha que saber inglês... Que droga. Me virei, tentando sair da sala. Ele foi mais rápido, fechou a porta e ficou na minha frente. Céus! - Repita, sim? - senti um quê de dúvida nele. Será que eu encontrei algo que ele realmente não dominava? Ele deu um passo para frente e eu para trás. Eu estava bem perto do sofá. Não sei se era proposital ou...

- Se eu posso... I would like know if you're all this, if you're really all this... - percebi que ele continuava sem entender. Eu não teria coragem de falar isso em português.  Mais um passo ele deu em minha direção. Percebi que ele era bem maior do que aparentava... Dei um passo para trás...  - Não sei ao certo se você não está entendendo ou se simplesmente está gostando de ouvir o que eu estou dizendo. - Um sorriso aflorou nos lábios dele.

- O que te faz pensar isso? - e mais um passo ele deu, eu dei para trás e toquei no sofá. Minha respiração começou a acelerar só com a ideia de... Droga! Agora eu estava entendendo... Ele estava entendendo claramente o que eu estava dizendo e eu, que droga, repetindo. Demente, demente e demente! Não... Eu não sou demente, apenas eu não tinha pensado nesta possibilidade... - How much time do we be on this?- Mentira, mentira, mentira! Que um buraco se abra no meio dessa sala se isso não der certo.

- Eu apenas estava desejando um pouco... Desejando saber se essas ondulações são suas ou estás usando algo por baixo para moldar o seu corpoo...

- Veja então... - E com alguns míseros segundos ele desabotoou-a e a largou no chão.

- Eu posso...?

- Experimente. - Ele estava olhando para os meus olhos no momento em que disse. O toque foi de leve, a princípio. Minha mão subiu e desceu nele. A mão dele levantou meu rosto. Toques leves foram espalhados no rosto dele com a minha mão. A respiração dele estava se misturando a minha. O beijo começou leve e foi se intensificando, tanto o beijo quanto os toques. Ele mantinha os olhos fechados durante todos os movimentos. Apesar de sentir a respiração dele mudar eu não conseguia saber ao certo se ele estava gostando... Os olhos dele estavam fechados e isso me impedia de ler as alterações que estavam acontecendo nele...

A queda no sofá não foi percebido, não sei se cai ou se ele me deitou ali. Só conseguia sentir a mão sobre miim e eu tocaando nele. Por um momento ele parou e ficou olhando para mim. O que será que ele iria fazer? Seus olhos tinha um brilho peculiar, seria desejo aquilo que eu via? Ele deu um passo para trás... Taria ele hesitando? Chegou até a porta e verificou de ele havia trancado. Trancou. Virou-se para mim, olhou para a mesa dele e foi pegar algo. Em instantes estava com uma pequena embalagem entre os dedos. Aquilo seria uma... Seria? Era. Um frio na barriga começou a vibrar em mim.  Nós realmente iriamos fazer... Seria uma proteção que ele queria ou evitar uma possível gravidez indesejada?

Chegou perto de mim e se sentou do meu lado. Com um movimento rápido me colocou no colo. Devagarinho recomeçou a me tocar, desprendeu o meu cabelo, fazendo que ele descesse como uma cascata sobre o meu ombro.Os beijos recomeçaram... O telefone da sala tocou uma vez. Ignoramos até ele parar de tocar. O celular dele ligou uma vez, duas, três vezes. Paramos e ele foi olhar quem era.

-Desculpe, mas eu tenho que retornar, é urgente. É a Glória. - E foi ligar para ela.Quem é Glória? E por que tinha que retornar com urgência? Ai que droga! Ele não poderia fazer isso mais tarde? Sacanagem, pura sacanagem. Que é a Glória? Que droga! Mil vezes Droga! O que eu estava fazendo? Me levantei e me ajeitei com pressa. Senti o olhar dele sobre mim, mas ele estava falando com outra! Droga, droga e droga!

-Só um instante. Eu já volto a falar com você. Só um instante Glória! Certo. Ok. Té  mais tarde.- E ele desligou o celular. - Onde você vai?

- Talvez essa informação não seja tão interessante para você agora. Tenho que ir. - Peguei minha bolsa e o meu computador. - Nos falamos mais tarde.


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CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO 2 
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terça-feira, 14 de maio de 2013

Príncipe dos sonhos verdadeiros...

E eu olhei novamente para você... Imaginei algo além do que a natureza poderia explorar... Estávamos juntos... Mas ao recai em mim, você aqui na minha frente me olhando tão docemente... Aquilo que me fez sorrir... Eu sabia que eu poderia sentir isso novamente... Você me olhava com seus olhos castanhos amendoados... E vi um sorriso em seu olhar... E eu sorri... E você sorriu... Meu coração acelerou... Tive a certeza que estávamos juntos... Eu li em seus olhos uma segurança que havia muito tempo que eu não conseguia encontrar nos olhos de alguém... Você estava me fazendo desejar jamais te perder... E eu conseguia ver isso em seu olhar sobre a minha face... Não era preciso palavras... Eu já sabia... Você também me amava... E um silêncio recaiu em minha mente e simplesmente quis te tocar... O toque que fez você quebrar o fixação de seus olhos nos meus e fechaste os olhos e sentisse o meu delicado toque... 

Jamais encontrarei a solidão sabendo que tenho esse olhar que recai no meu olhar... És para mim o sol ante o universo... Brilhas só com esse seu olhar...
Dás vida com um sorriso descontraído e trás a certeza que se sentes bem e que tenho permissão de viver ao seu lado como um casal... Seu sorriso cativaria até o coração mais angustiado da face do universo...
Dois redondos olhos que despertaram o amor sobre o meu coração e me atraiu para dividir e compartilhar a vida...

Pensei que nunca mais seria capaz de sentir isso novamente...
Pensei que eu estava mergulhada em um mar das angústias...
Pensei que nunca seria capaz de deixar o primeiro amor de lado...

Me mostraste como a vida pode ser bela novamente...
Que somos capazes de amar, mesmo que seja pela segunda vez na vida, com uma intensidade inimaginável....
Príncipe dos sonhos verdadeiros...

Os dias iriam passar novamente, os anos iriam entrar com todas as situações, fáceis e difíceis, boas e ruins...  Mas com você do meu lado eu saberia que estaria tudo bem... 
És apenas um homem..
Um homem que despertou algo que pensei que havia morrido...

Não é um sonho...
Não é uma fantasia...
És verdadeiro...
E queres o meu sentimento.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O último Email

Todos os dias eu chegava cedo no trabalho e aproveitava para entrar no computador para verificar meus emails, atualizar o meu blog, conferir as notícias no yahoo... 
Numa desses dias encontrei um Email uma nova mensagem de alguém que não parecia oferecer nenhum produto... Parecia um e-mail qualquer. Clico e descubro que era apenas uma mensagem. Uma mensagem estranha, aliás. Vinha escrito 'Quantos versos tem Os Lusíadas'? A  princípio fiquei curiosa. Alguém iria mesmo escrever algo assim para mim? Pensei que poderia ser uma brincadeira de alguém ou uma tentativa de avivamento de uma conversa. Enfim, eu não lembrava a resposta que ele pedira. Fiquei curiosa e joguei no Google. Foi divertido e respondi. Entrei no outro dia e descubro que ele havia respondido. Nisso se seguiu algumas semanas com perguntas e respostas. Não demorava muito um responder ao outro, no máximo dois dias.
Se seguiu uma rotina, eu diria. 
Mas acontece que  eu mandei um email, mandei outro. Se passou uma semana, duas, três. A principio pensei que poderia ser alguma desmotivação do meu receptor, ou talvez alguma falta de tempo ou de assunto. Pensei doze mil coisas. Depois de dois meses, mandei algo. Eu havia gostado mesmo de conversar com ele, já estava sentindo falta das trocas de correspondências. Eu havia ficado chateada, se era para parar de falar, ao  menos que ele avisasse. 
O que ocorreu, caro amigo leitor, que descobri, depois de alguns anos, que o meu amigo havia caído numa terrível situação do destino e havia partido para uma vida que não era mais humana. Havia deixado esse plano terrestre por um acidente que o havia deixado em coma e o fizera dar Adeus a vida dos seres vivos. 
Não lembro ao certo como eu fui descobrir isso, só sei que foi triste lembrar. 
Mesmo depois de anos que isso aconteceu, ainda tenho aqueles antigos emails salvos na minha caixa de correspondência. 
Não tenho ideia de onde ele esteja vivendo no momento, só sei que este é o último email.

domingo, 24 de março de 2013

Anjos - A partida

E desceu do céu um anjo. Ele pousou no chão, debaixo de um pé de manga espada. E o sol brilhava. Ele estava só. "O que eu vou fazer agora?", ele se perguntou. Ele não  lembrava o que era para fazer. Olhou ao redor. Esta no jardim de uma casa. Muro amarelo, com duas grades e uma janela entre elas. Estava no fim de tarde de domingo. Ele sabia que tinha que fazer uma missão, mas não lembrava mesmo o que tinha que fazer. Entrou na casa. Estava silenciosa. A varanda era pequena, tinha duas cadeiras de balanço, uma de ferro e outra de madeira. Entrou na sala, percebeu que tinha duas saídas, uma dava num quarto e a outra na cozinha. Estava tudo quieto. A luz do dia entrava por todas as direções. O anjo continuou a olhar. Seguiu pela cozinha, que tinha mais quatro portas, um para um banheiro, outras duas para dois quartos e outra para a área externa. Escutou o som do coração de alguém. Estava tranquilo, doente, mas calmo. Não sabia ao certo o que iria fazer, mas era com aquele coração. Estava no quarto e dormindo. Antes de entrar lá, ele escutou outro coração. Era mais novo, mais agitado, mais angustiado, mais alegre, mas não tão feliz quando aquele que estava dormindo. O anjo se perguntou  e decidiu que tinha que fazer algo por  esse coração também.
Voou em direção ao coração intranquilo. Ele estava na cadeira em frente ao um computador. Digitava algo super rápido e não notou a sua aproximação. Tinha uma aparência bonita, jovem. Estava entretida. O anjo tocou com a mão no coração dela. Notou que havia um vazio imenso ali. Ele não sabia o que era, mas despejou paz e quietude nela. Aos poucos ela parou de digitar e olhou ao redor. Ela havia notada a diferença. O anjo sorriu e começou a sair. Ela olhou pela direção que ele se encontrava e ele teve a impressão que ela podia vê-lo.
Voltou para o quarto do coração quieto, e disse "levante-se, já está na hora". A senhora que dormia, sorriu. "Tem que ser agora? Estou tão cansada. Mas não sei se posso ir agora. Não iria me levantar bem se soubesse que eu não consegui mudar as coisas aqui.", falou triste. "Tudo ficará no seu devido lugar, minha cara jovem. Não deixarei que nada aconteça de ruim. Confie em mim.", acalmando a nobre senhora, pegou sua mão e subiu com ela.
Alguns dias depois...
'Ela se foi, ela descansou.', pensei. Fazia tanto tempo que ela se preocupava com tantas bobagens. Não era justo que ela sofresse por coisas que não estavam ligada a ela. Ela era uma ótima mãe, uma ótima vó. Ela deixará saudades. Mas fico feliz de ela ter ido. Sentirei muita falta dela. Ela é o anjo que Deus colocou em minha vida.


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Meu primeiro conto falando acerca de morte. Mas  tenha cuidado com as coisas que você anda dizendo. Não magoei a pessoa que cuida de você. Elas sempre tem o cuidado com você. São nossas mães, avós, amigos... Enfim, pessoas que nasceram para te amar.
Isso aqui é apenas um conto.
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quinta-feira, 14 de março de 2013

Encontros

Não sei o motivo real que ele fez esse convite, mas minha curiosidade transpunha qualquer outra coisa em mim, eu tinha que ir. Quem mandou ser assim? Eu podia controlar muito bem minha curiosidade, não poderia? Talvez eu realmente quisesse algumas respostas. Mas minha imprecisão, quanto ao que eu ia sentir nesse encontro, me fez hesitar o aceitamento. Fazia tanto tempo isso... Enfim, fui.
Foi difícil. O meu dia foi corrido de mais, tantas coisas a fazer... O céu estava repleto de estrelas. Pensei "Deus olhou para mim e disse que eu brilhava. Mas no meio de tantas estrelas no céu, eu seria mais uma. Então disse que eu iria para terra e iria iluminar, tanto a mim quanto as pessoas que estivessem ao meu redor". Cheguei morta de cansada em casa. Só queria banho e cama. Comi, assisti a novela e fui pra cama. 
Tentei dormir, juro! Quando estava me permitindo começar a entrar no mundo dos sonhos, lembranças vieram a tona em minha mente. De lembrança e lembrança quase não consegui pregar os olhos. Enfim, amanheceu. O sol brilhava muito. Tomei aquele banho revigorante. O dia seria cheio de surpresas, agora eu só precisava saber o ele queria comigo.

As horas se passaram e a hora do encontro não chegava. Teria eu algum motivo para ficar apeensiva? Claro que não! Eu tenho que me concentrar nos meus afazeres. Ninguém iria fazer isso por mim. Cada um tinha uma coisa a fazer e não seria eu a atrapalhar as coisas que os outros estavam fazendo.  Sentada na cadeira, em frente ao meu pc de trabalho. Observei a janela. O Céu estava azul clarinho, com poucas nuvens brancas. Lindo dia para ficar presa em um departamento público. Enfim, fazendo meus afazeres. Ao olhar o relógio, percebi que passei da hora de largar. Eu iria me atrasar ao bendito encontro.  Me organizei e sai. Passei por algumas lojas e olhei, distraidamente, os objetos que se encontravam lá para serem vendidos. Havia algumas coisas curiosas, como um relógio no formato de banana de dinamites, placas com dizeres "cuidado, há um coração pegando fogo", eu rir com essa. Quem iria por uma dessas no portal de um quarto? Tinha um pigente que dizia "cuidado, namorado ciumento". Ai, sério isso? Mentira? Eu não colocaria esse aviso em mim, mas acharia engraçado um homem dá isso a sua namorada. Fui olhar a hora, foi ai que eu percebi que meu celular havia descarregado. Estava sem relógio, então me encaminhei ao local que fora marcado.

Havia tantas pessoas lá que a princípio eu não o vi. As zuadas eram claras. Pessoas chegando e pessoa saindo. Havia movimento para todas as direções. Claro, estava na praça de alimentação. O cheiro estava bom. Eu poderia comer algo, não poderia? Provavelmente ele iria demorar ozentas horas. Então... Procurei um sanduíche e comprei. Sentei e comecei a comer.  Já havia passado trinta minutos e nada dele chegar. Terminei de comer, me levantei e fui em direção ao banheiro.

- Laura? - a voz era estranhamente familiar. Algo corroeu no meu estômago. - Laura? - mais uma vez ele falou. Virei e quase parei de respirar. Mesmo depois de tanto tempo, mesmo depois de tantas coisas que aconteceram, mesmo depois... Ele ainda mexia profundamente comigo.
- Oi - eu disse.
- tudo bem? - ele perguntou. Não consegui ler a expressão dele. Estaria natural? Nervoso? Frio? Cabeça minha. Estaria eu perdendo tempo pensando essas coisas?
- Sim - eu finalmente disse. O silêncio se formou entre a gente. O que deveria ser dito? Mesmo me sentindo profundamente mexida por ele, senti mais que um ar de atração, senti um ar de estranheza. Se tivesse na frente de um estranho sentiria o mesmo. Pensei em sair. Haveria algum motivo forte pra ficar? Sim, havia. Eu queria estar ali. Eu queria respostas, mas independente do que fosse dito, nada apagaria o que tinha sentido.
- Vai falar alguma coisa? - Eu disse. - Se não for, melhor eu ir andando. Afinal, não cheguei aqui para ficar escutando o silêncio. - Nenhuma alteração dele. O que há? Céus! Isso já estava virando um projeto de tortura. ''Tonta'', pensei. Olhei para ele mais uma vez. - Há algo errado? Por que não falas nada? - e ele continuou na mesma. Mas que droga! Ele não poderia fazer isso. Não poderia. - Olhe, vou nessa.
- Não. -  Ele disse. - Vamos conversar um pouco?- Isso significava uma coisa: ele não iria entrar no assunto primeiramente. - Bora sentar?- e apontou para um lugar no meio da praça de alimentação.
- ok, vamos. Mas não ali. - Me virei e sentei numa das cadeiras próximas a uma das laterais. No meio atraia muita atenção. Não queria que as pessoas ficassem olhando para mim. Eu não gostava disso, Além de não  querer que alguém me visse ali, principalmente com ele. Não que isso fosse errado, mas não queria comentários do tipo 'vocês voltaram?'. Já era dolorido pensar que não estávamos juntos, não queria ter que negar. Enfim, sentei. Ele me seguiu e sentou em frente a mim.
- E ai, alguma novidade? -
- Um monte, eu diria -
- Um monte? Pode começar? Temos muito tempo para conversar.
- Muito tempo? Eu não diria isso. Eu tenho muitas pra fazer quando sair daqui.
- Mentira sua.
- Mentira? Como podes dizer isso?
- Se você tivesse algo para hoje, já teria ido. Afinal, você está uma hora atrasada.
- Eu não estou. Cheguei aqui faz tempo. Procurei e não te encontrei. Aqui você não se encontrava.
- Não viu.
- Vi sim.
- Não viu não.
- Garota, eu tava sentado quase na sua frente. Pensei que você estava até me ignorando.
- Ignorando? Eu não te vi.
- Viu sim. Acenei e você não correspondeu.
- Não te vi. Apenas isso.
- Sou invisível?
- Rezei por muito tempo para que isso acontecesse. Você poderia até me ver, mas não o contrário.
- Sério?
- Teria eu algum motivo para mentir?
- Não sei. Terias?
- Céus! Fale logo o que queres falar.  Para de ficar enrolando! Sério. Há algo que queira falar? Há algo que queira fazer? Seja direto!
- Parece que tens pressa. O que há? Você nunca foi assim. Você não é assim.
-Nossa! Falas como se pudesse conhecer todo o meu ser, de uma maneira tão simples, como se pudesse me ver como eu sou interiomente como se fosse um roupa. As pessoas estão em constante mudanças. O que você é hoje, pode não ser amanhã.
- Grossa nada você, não?
- Estou começando a ficar impaciente. - Olhei para os lados e comecei a reparar nas pessoas que estavam ao nosso redor. Algumas comiam, outras riam, algumas conversavam bem alto. Outras estavam adorando seus parceiros. Eram amigos, eram familias, namorados, ficantes e até desconhecidos largados em todos os cantos. Alguns se encontravam em grupos, outros estavam só. Senti uma mão fria tocar no meu braço, esse toque me deu um susto e quase saltei da cadeira. Foi quando me lembrei que estava com ele ali. Demorou mais um pouco para a ficha cair, ele realmente estava lá. Uma irritação começou a brotar do meu ser. Por que eu estava ali? Por quê? Eu estava doida? Quantas noites eu passei chorando? Quantas horas do meu dia eu passava pensando nele? Céus! Eu não estou bem. Me levantei e virei as costas para ele. Eu não poderia passar mais um segundo ao lado dele.
- Pra onde você vai? -  parei e não me virei para olhá-lo. - Espera um segundo sim? Mas antes, olhe para mim.
O silêncio se formou mais uma vez. Isso estava me tirando do sério. Me virei e fitei os olhos castanhos-escuros dele.
- Só preciso te perguntar uma coisa. Podes me responder sinceramente? - ele perguntou.
- não tenho motivo algum para mentir ou ocultar uma resposta. Pergunte.
- Você ainda gosta de mim?
Um sorriso breve se formou nos meus lábios. Teria ele feito essa pergunta mesmo? Teria sido algum pensamento que tenha virado algo quase real? Não... Ele  não fez.
- Laura? Você me ouviu? Posso repetir a pergunta novamente. Você ainda gosta de mim?
- Eu não usaria a palavra gostar, meu caro.
- Usarias qual, então?
Eu pensei que isso nunca iria acontecer, pensei que essa cena só iria perpetuar a minha imaginação até o meu último suspiro. Olhei o rosto dele, havia tantas mudanças ali.
- Se a verdade queres ouvir, a verdade terás. A palavra que eu usaria... Ou melhor, a palavra que uso abrange muito mais do que gostar. Gostar é usado para coisas comuns. Eu gosto de Fanta, de bolo de laranja, de suco de limão, suco de acerola. Gosto de dançar, gosto de desenhar, gosto de de ficar só as vezes, gosto de ter muitos amigos.
-Você me ama?
- Se eu te amo, meu belo ser? A resposta seria  a mesma se tivesses me perguntado se há estrelas no céu noturno, se a água do mar é salgada, se o arco-íris é colorido. Eu te amo, mas junto a ti uma noite eu não desejo passar. Não confio mais em você. Não gosto de sentir a ansiedade que eu vivia sentindo. Você seguiu em frente, e deixou bem claro que não queria mais a minha presença em sua vida. Levou muito tempo para eu conseguir diminuir o vazio que se formou no meu peito. Você não sabe o que é isso.- e com uma última olhada, sai. Fiquei me sentindo estranha. Não sabia se era isso que eu deveria fazer. Não quero lágrimas. Era incrível. Ele conseguia me deixar tão bem. Sei lá. Gostaria que isso fosse diferente.
- Para!- Ele gritou quando eu tinha chegado na escada rolante. Me virei assustada. Percebi que as pessoas ao meu redor estava olhando para ele. Ele não podia fazer isso. Eu não gostava quando as pessoas ficavam olhando para mim. Ele começou a andar em minha direção. Balancei a cabeça, com a finalidade de negar, ele olhava para mim, mas se ele se aproximasse mais, eu sabia que as outras iriam olhar para mim. Ele não tinha o direito disso.
- Pode parando ai
- Pra que você está gritando?
- Eu não sabia o que fazer. Por favor, não vá embora.
- Por que não? Você foi embora primeiro, lembra?
- Mas não vá.
- Juro a você, eu não te entendo. Sentes algum prazer em trazer a magóa para mim? Sério. Se não fosse o... Você é o único que consegues me acalmar com apenas o olhar, meus pensamentos se aquietam quando estou do seu lado, não sinto nenhuma confusão... Mas aprendi a ser apreensiva, a não saber o que você vai fazer. Sinto que faço as coisas para tentar entrar na sua vida e você... Você sempre vem com alguma coisa para negar essa minha entrada... Olho para você e não sei o que pensar. Sempre com alguma desculpas tens na boca.
- Me perdoa?!
Olhei para ele.
-Te perdoar? Do que pedes perdão?
- De tudo.
- De tudo?
- É. De tudo.
- Quando você fala ''tudo", estás se referindo de que exatamente? De o você ter entrado em minha vida? Ou de ter saído dela bruscamente? Das palavras que você disse? Todas elas? Incluindo coisas boas e ruins? Dos carinhos que ofereceste para mim? Das mensagens? Das fotos? Das brincadeiras? Da diversão? Do que exatamente? - mil coisas se passavam em minha mente. Eu estava começando a ficar nervosa. Não conseguia ver mais um centimetro na minha frente. Eu tinha que sair dali. EU TINHA QUE SAIR. Eu não daria dez minutos para começar a chorar, já estava no meu limite, quase não conseguia me segurar. Céus! Que coisa! Se isso fosse um teste, eu teria me dado bem. Se ele fosse um professor, ele seria o único que eu teria reprovado. Se ele fosse professor? Essa ideia me fez sorrir. Imagina só, 'professor Henrique'. Nome bonito demais para um professor. Isso seria algo estranho. Nunca tive nenhuma fantasia com um professor meu. Bem, ele seria o primeiro. Outro sorriso se alargou nos meus olhos. Imaginei uma cena que seria proibida para crianças. No birô, ele usando o 'seu piloto' para 'marcar as devidas marcações'. Isso me fez cair numa pequena gargalhada.
- Laura? Você me escutou?
- Oi? Sim. Ou melhor, não.
- As vezes só queria que você compartilhasse seus pensamentos comigo.
- As vezes só queria que você compartilhasse sua vida com a minha.
- Como assim?
- Nada, falei de mais.
- Fale.
- Há alguma diferença?
- Claro! Claro que há.
- Sinto uma angústia em mim quando espero por você. E você já me deu motivos para eu entender que isso não é possível. Desculpe por insistir tanto.
- Não se desculpe por isso.

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Nota : CONTINUA MAIS TARDE. :-)
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terça-feira, 5 de março de 2013

Confiança e Traição

Meu celular vibrou. Mensagem.
Eu estava no carro e o trânsito estava livre. Tinha um pouco de pressa, verdade. Seja lá quem for, poderia esperar alguns minutos. Outra vez meu celular vibrou. Teria alguém pressa em falar comigo? Provavelmente seria uma daquelas insistentes mensagens de operadora, promoções que prometiam tudo. Só faltava saber se eles iriam oferecer tíquetes de gasolina. Eu ia chegar mais cedo. Eu tinha que fazer isso. Maldita curiosidade. Que coisa! Aquelas mensagens no celular de minha amada não poderia significar grandes coisas. Céus! Tentei de tudo, li todos os processos que estavam tramitando pelo meu setor. Trabalhei o que doze homens, do meu setor, trabalhavam em dois meses. Eu estava começando a ficar perturbado. Falei a mim mesmo o dia todo "...Roberto, não é nada.", "...Roberto, isso deve ser alguma brincadeira da Letícia, a irmã gêmea de minha futura noiva.". Não poderia ser.
Céus!
Que inferno!
Eu não acreditava. 
EU NÃO ACREDITAVA!
Calma!
Só calma!
Não seria absolutamente nada.
Não poderia.
Ela iria ter mesmo coragem de fazer isso comigo?
Caramba! Estávamos juntos a quase quatro anos!
Não era justo!
NÃO ERA JUSTO!
Calma!
Roberto Campos Junior! 
Sua futura esposa era encantadora. Linda. Qualquer um iria querer...
Mas não tinha o direito!
O corpo dela era campo livre para as minhas carícias, mas não de outro homem!
Não é posse... Ela não era objeto...
Céus! Ok... Entendi... Eu não entendi coisa nenhuma!
Eram apenas mensagens.
Parei o carro. Eram dela.

"vou me atrasar hoje querido. Te encontro mais tarde! Te amo".

Um sorriso surgiu em meus lábios. Era verdade, ela me amava. Seria ingenuidade minha pensar isso? Só Deus sabia o que acometia, o que os meus sentidos provocavam, em mim. Ela era a mulher da minha vida. O anel de casamento, que comprei para ela, estava pendendo em meu bolso há semanas.

"Compra aqueles bolinhos da padaria Bela? Sei lá, vontade!"

  Ela sempre gostava daqueles bolinhos... Seria uma vontade grande? A padaria era do outro lado da cidade. Valeria à pena. Levaria algumas rosas também. Isso seria suficiente para... Ui! Seria... E era isso mesmo que eu vou fazer... Desviei o meu caminho e peguei a estrada que levava a padaria...
Seria vontade mesmo? Ou seria... Seria desejo? Não poderia ser... Nós não... Não ainda... Seria do outro? Céus! Mil vezes droga. Parei o carro. E agora? 
Isso não poderia acontecer.
Teria ela mesma o desejo disso? Ou seria uma desculpa para que ele demorasse mais tempo para chegar à casa dela? Outra mensagem chega.

"Estou indo ao centro. Vou ver algo naquela loja que fomos da última vez. Bjs. Te amo!"

 Parei o carro. E agora? Respirei ozentas vezes para tentar me acalmar. Acalmar? Acalmar coisa nenhuma! Eu queria gritar. Eu sabia que ela tava estranha ultimamente, mas me trair? Isso seria... Fui ao endereço que ela estava. Que se exploda os bolinhos. Acelerei o máximo que era permitido. Caramba! 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Fecho de Luz

O quarto estava completamente escuro. Bem escuro. Eu havia desligado a luz... Deitei na minha cama.... Reparei no fino fecho de luz... Não havia janelas em meu quarto... Desci a  minha cabeça pelo travesseiro e fui descendo até que meus olhos ficassem abaixo, bem na mira, daquela luminosidade. Encarei, por acaso, a lua. Havia uma velha telha, um pouco afastada da outra. Por ali, a existência da lua se fazia presente... Quando voltei ao travesseiro, percebi, estranhamente,  que a luz esquentava o meu coração.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

O cupido

Anjos lindos e fofos... Pequenos e com asas peroladas...
Olhos inocentes, aura angelical...
Arcos com detalhes pequenos e flechas com coração na ponta...
Cabelos castanhos, cabelos pretos, cabelos claros e escuros...
Mas sempre cacheados.
Entre as nuvens eles conversavam. Eles olhavam para nós, seres humanos, e decidiam quem poderia formar casal.
Estavam conversando os cupidos Miguel, Gabriel, Rafael, Leonel e o Daniel. Numa das conversas, eles decidiram fazer uma competição, quem ira conseguir fazer mais casais. Enquanto isso no mundo humano...
Sarah, Isabela, Sophia, Gabriela estavam caminhando. Elas estavam indo encontrar seus namorados, que eram, respectivamente, Carlos, Roberto, Miguel e João. Eles iriam fazer um passeio a Beira mar de Olinda.
O anjo Gabriel, o mais danado, desceu sobre o mundo primeiro, tentando ser o primeiro. Ao avistar o grupo das garotas, pensou "em quatro eu vejo em minha frente, em quatro eu casais eu formo perfeitamente". Os anjos possuíam um sentido de corações, eles realmente sentiam quem amava verdadeiramente o outro ou quem poderia despertar tal sentimento no outro. O problema foi que Gabriel não ligou para o que sentiu, e ao invés de ir atrás de outros, decidiu ali mesmo iniciar a sua disputa.

"A Sarah, que tem nome de princesa,
irá ficar bela enamorada por Roberto.
A Isabela, nome de garota bela,
Estará amando o João,
Miguel... Você vai gostar agora de... De... Gabriela,
Carlos irá.... Amar Sophia"

E assim, quatro flechas ele atirou, e nos corações o sentimentos transformou, quatro casais ele terminou, porque uma confusão ele formou.

Assim antes, Sarah era por Carlos, Isabela era por Roberto, Sophia era de Miguel e Gabriela era de João. Mas depois Carlos era fim de Sophia, mas Sophia era afim de Miguel, Mas miguel ficou afim  de Gabriela...  Sarah ficou afim de Roberto, que Roberto era afim de Isabela, que Isabela ficou afim de João, Que João era afim de Gabriela,

Confusão formada e anjo se mandou. Ele sabia do que iria acontecer, alguma coisa ele iria sofrer, mas a burrada que ele fez, logo iria ser notada como insensatez.
Os casais começaram a não se entender, brigas começaram. Como eles iriam conseguir isso modificar? Era verdade que eles se amavam, mas já não podiam ficar juntos.
As horas se passaram e eles já não se falavam. Os únicos que estavam juntos era a Gabriela e o João.
Ao notar a confusão que estava acontecendo, eles tentaram trazer a razão para os amigos, que pareciam não querer entender ou ouvir.


Como um amor pode ser esquecido?
Mesmo nas confusões do cupído?
Como saber que ele só apenas quer brincar com os nossos sentimentos???


sábado, 9 de fevereiro de 2013

Carnaval

Eu estava de Colombina e ele estava de Pierrot. As músicas que estavam sendo tocadas alegravam até o coração mais amargo do continente. Carnaval. Apesar de ser conhecida como uma festa comemorada com muitas pessoas, e músicas estrondando e muito e muito calor, eu gostava. Mas onde eu estava, era diferente. Era um local pequeno, verdade. Mas não tinha tanta gente assim. Era até engraçado a forma que os adultos se portavam e se vestiam. Havia algumas pessoas com peças coloridas,  laranja, roxo e rosa... Aquelas mulheres ali, eu sabia, eram aparentadas ou eram amigas. Algumas estavam com tiaras coloridas, chapéus com cores fortes e uns papéis de mesmo tom grudados... As crianças jogavam confetes e serpentina coloridas... O frevo estava com a toda... Não era peixe, não era. Era Iemanjá... Morena... Me segura se não eu caio ... E eu estava sentada observando tudo... Nos quatro cantos cheguei... E as músicas frevando com todos ali. Uma leve chuva caía... Se você fosse sincera, Aurora... Recife literalmente para hoje. O povo aclama com todo o seu esplendor... A diversão estava estampada nos rostos... Cara, era carnaval. E eu olhava para o meu Pierrot... Ele conseguiria me ver? Eu estava do outro lado, ao extremo leste e ele no oeste. Ele estava na banda. Eu já tinha dançado, agora estava descansando e olhando-o. Era impossível ficar parado... O ritmo era contagiante demais... Nossos olhares se cruzaram... E tive a impressão que ele havia parado de tocar. Havia ele se desconcentrado quando me viu? Era uma grande possibilidade. Levantei, ainda com os olhos presos ao dele, e fui dançar. Senti os olhos dele sob o meu corpo em movimento, principalmente aos meus passos que estavam ritmados ao ritmo da dança. Vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval... Ele cantara... E vinha em minha direção. Hoje é carnaval.  
  

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Conto de uma Suicida

Sentei e olhei para o céu. A princípio me distraí só com os movimentos das nuvens que escondiam a meia lua.
O céu estava repleto de pequenos pontos brilhantes estrelados.
Não sei quanto tempo isso durou, mas acabei mergulhando nos meus pensamentos.
Me sentia como se tivesse deixando a vida passar, como se tivesse desistido de continuar com a vida.
Cai tantas vezes. A impressão que eu estava tendo era que eu não conseguia ficar em pé. Sentia uma constante aperto no meu peito. Eu não sabia o que fazer. 
Descobri que meu grupo não era algo verdeiro, o que me tirou a base das amizades que eu mantia como as contantes e que eu pensava ser eternas. Problemas pessoais foram aumentando. Descobri que a minha variação de humor estava cedendo muito rápido... Não consegui me sentir bem. Não consegui me sentir... Não consegui sentir o silêncio na minha mente. Eu estava atormentada. Me sentia como um peixe fora d'água. Céus!
Tentei de vários modos encontrar o equilíbrio. Tentei me reerguer por diversas maneiras, mas não obtive  nenhum êxito. Perdi a vontade de viver.
Me sentia culpada.
Eu não deveria ter deixado as coisas chegarem a esse limite.
Senti que a solidão recomeçava a surgir em minha mente.
Descobri que era fácil entrar no fundo do poço. Juro que tentei sair.
Abri os olhos e vi como a noite estava escura. Uma dor de cabeça martelou outra vez.
Eu deveria ser mais forte, mais tolerante, mais alegre, mais simpática, mais inteligente...
Quando eu olhava para ela, desejava retirar toda a dor que ela sentia. Quando olhava para as minhas duas irmãs menores, desejava poder inserir na cabeça delas a maturidade que cabia à idade delas. 
Eu sabia que ela precisava de mim. Elas precisavam de mim.
A tristeza que vinha me acompanhando, mais o senso de responsabilidade que recaia sobre os meus ombros, mais minha sensação de inutilidade, mais minha falta de direção... A angústia repassava por tudo... Só havia uma coisa a fazer...
Encontrar alguém para ficar no meu lugar. 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Príncipe e Sophia

Ela olhou e disse - gostaria de ser um pensamento e explorar o que anda em sua cabeça, senhor príncipe.
Ele, como quem não queria nada, falou - O que gostarias de saber?
Ela, meio sem jeito, procurou em seus pensamentos uma coisa, apenas uma, que fosse fácil de dizer, que ela não tivesse a chance de enrubescer. Mas todos os questionamentos, todas as dúvidas, todos os desejos, seus mais sinceros anseios iria denunciar seu verdadeiro sentimento. Ele a olhava de uma maneira bem curiosa. Saberia ele o que se passava em sua mente? Seria ele capaz de decodificar as alterações da minha face? Isso seria terrível... Seria terrível? Essa dúvida fez com que um leve sorriso aparecesse no meu rosto. Seria interessante se eu perguntasse a ele... Seria estranho se eu dissesse 'amarias uma plebeia como eu? Ou nem um beijo na minha mão darias?'. Essa pergunta pode parecer estranha para um leitor do século XXI, o beijo na mão, como eu posso muito bem explicar, era o sinal de gentileza na idade média, era o mesmo que beijos na bochecha hoje em dia. 
Ele olhava para mim, esperando a minha resposta. Ele sabia que viria, mas não sabia quanto tempo isso iria levar. Ele se aproximou e tocou na mão dela, pois ela estava amassando algo e não parava de mexer. 'Taria, ela, bem?', ele pensou.
Decidi perguntar, mas a mão dele tocara na minha. Nossos olhares se cruzaram e, pelo o que pareceu, duraram meio século. Minha boca entreabriu, meus olhos focaram a linha da boca dele. Minha respiração acelerou o que fez meus seios subirem e descer de uma maneira ritmada, que acelerava a cada instante. Ele baixou a cabeça dele um pouco, de uma maneira que alinhou seus olhos aos meus.  "Há algo errado, bela donzela?", o que eu poderia responder? Em minha mente passava doze mil pensamentos diferentes. Minha mão, que antes estava amassando  algo, subiu, de uma maneira nada tolhida, sobre o peitoral dele. Um sorriso intencionado surgiu no rosto dele. Ele alinhou, mas não tocou, seus lábios aos meus. Senti sua respiração acariciar meus lábios. Nossa respiração se tornou quase única. Nossos hálitos se misturavam... Um barulho no corredor fez ele virar o rosto, mas antes que eu o fizesse, ele já tinha virado e colado a mão direita no meu queixo. "Não há nada que seja mais interessante de olhar do que você.". Eu sabia que eu estava vermelha. Ele tinha dito aquilo, numa confusão de olhares. Estava claro a dúvida que a visão dele estava fazendo. Ele não sabia se olhava para meus olhos ou para a minha boca. Percebi que a respiração dele estava tão alterada quanto a minha. O beijo aconteceu. Algumas sensações estranhas, e claramente maravilhosas, estavam ocorrendo em meu corpo, algo que pulsava na minha cabeça, na minha cabeça e no centro de minha feminidade. Possessivamente, e altamente agradável, ele me abraçou. Meu coração estava completamente descompassado. O que iria acontecer agora? Será que isso iria, realmente, importar? Céus, quantas dúvidas! Será que eu realmente desejava fazer aquilo? Ah, sim, eu desejava. Ain! Que ódio! Sentia que iria ser usada. Será que eu não queria ser? Não! Não mesmo! E o beijo foi interrompido. Ficamos olhando um para o outro. Me lasquei! Eu pensei. O que ele iria pensar de mim agora? Isso seria realmente importante? Claro que era! Mil vezes droga. Droga, droga, droga! Me senti como a última das leoas da terra, onde todos ficavam a procura para não achar. Aos poucos minha respiração foi voltando para o  estado normal. Ele olhava para mim de uma maneira menos selvagem agora...
Ele disse: - Dirás para mim o que pensar? Ou terei que adivinhar? -
Eu preferia mil vezes que ele tentasse,  mas antes mesmo de eu dizer uma palavra, ele proferiu: - Meu nome é Príncipe Pedro. Acho que me antecipei. Minha intenção era saber... Era conhecer um pouco mais sobre você, minha doce jovem. – se isso era conhecer, o que irá ser um encontro? Céus! Agora era que minha  mente estava ainda mais embolada. – palavras foram criadas para serem usadas, sim? Então... Sugiro que comeces a falar. Minha cara. – Ele finalizou.
Seria mais simples se eu fosse muda, assim pegaria um papel e assim escreveria... Tola, tola, tola! Que pensamento era esse? Eu estava ali por um propósito. Eu tinha sido escolhida para tentar  uma aliança entre os dois reinos. Ou melhor, eu tinha sido enviada para isso. Era uma aliança que interessava aos dois reinos. Eu nasci um pouco depois da morte da rainha. Meu pai era o Rei Carlos II e tinha que arranjar um meio que soubesse que me deixaria segura. Havia outros filhos na  linha da sucessão ao trono e ele temia pela minha segurança, afinal, eu tinha sido um prazer a parte do casamento e tinha nascido. Em troca, o outro reino teria uma parte de terra muito fértil e outras coisas que eu não me interei muito bem. Eu sabia que isso seria o meu bem, mas ser beijada daquele jeito tinha me deixado tonta.
Ele observava cada palavra não dita que passava na feição dela. Seria uma retardada? Uma maluca? Eu não acredito. Pensei que ela não seria...
- Meu nome é  Sophia...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ah... O amor não é lindo?

Sempre há um motivo para um sorriso aparecer no rosto... Quantas vezes você amará? Em todas as vezes que você acreditar... Existe várias faces de o amor aparecer, mas em todas elas há uma coisa em comum, sempre mexerá do coração ao cérebro, sempre trará novas sensações. Sensações agradáveis? Eu diria sensacional! Faz-nos falar tantas bobagens... Bobagens? Isso nem sequer existe no dicionário de um amante. Tudo, absolutamente tudo, que é dito ou expresso, tem um valor mega significativo. Um simples olhar pode acarretar numa transfusão intensa de sentimentos, que pode se tornar indefinível. Confusões? Provavelmente as piores. Em um momento estas vivendo tranquilamente, mergulhado em trabalhos acadêmicos, relatórios e pressão no trabalho, escapadas para verificar o email e o face e, de repente, tudo fica dócil, complicado, simples, brilhante, terrível, de uma maneira singular, e ao mesmo tempo. Possível isso? Dá para entender? Conselhos? Esses aparecem aos montes. Mas como seguir um? Cada história é única. Cada um mantém o ser que difere do outro. Magnífico isso, não? Cada relacionamento é terrivelmente curioso. Os casais, de fato, compartilham experiências parecidas. Que fique bem claro, eu disse ‘parecidas’. E o que nos leva a amar outro ser? Uma infinidade de coisas, eu diria. Independente da relação sanguínea, me refiro, aqui, ao amor que fica entre o gentil e o carnal, nesta mistura. 
Em princípio, alguns dizem, que a aparência é que atrai, se o ser amado tem o corpo bem delineado, se o cabelo é bem cortado, se os olhos possuem o tom mais perfeito de castanhos... Bem, isso varia de pessoa pra pessoa. Se atrai? Claro! Eu iria negar? Atração, em muitos casos, é o que faz a gente se aproximar. Mas o que faz permanecer algo, depois de cinco minutos de aproximação, é o que a pessoa trás consigo. Do contrário, o que era de uma beleza que brotaria a paixão mais avassaladora, torna-se nula. Costumo dizer que é como você abrir a geladeira, tirar o pote de margarina, com o nome ‘açúcar’ escrito na tampa, e, quando abre, encontra sal. E ai? O que é que verdadeiramente importante? O eterno? O nome? Ou o que está no interior? Ai cada u tem a livre escolha. Não existe uma sensação mais agradável do que sentir o amor pulsar nas veias... Talvez, só talvez, quando se é correspondido... Isso sim torna mais agradável. Como explicar a sensação de querer saber como o outro ser se encontra? Como explicar, caro leitor e leitora amiga, o desejo  de tocar e sentir-se tocada por esse ser? Mil palavras eu usaria, mil palavras não seriam suficiente pra definir... a única coisa que posso fazer é dizer que quanto sentires isso, não ignore. Não é preciso dois para sentir o amor. Amar é uma dádiva. Não dá para definir isso. Não o mal diga, não se sinta menor por não poder consumar com o bendito cujo. Simplesmente deixe que essa sensação brote no seio do seu ser. E, mais uma coisa, lembre-se que não existe nada pronto, o nunca mais e o para sempre não existem. E se desejo seu for, lute por esse amor. Mas o que é o amor? Não tenho a mínima ideia. Só sei sentir, não explicar.
  

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Te reinventaria

Olho para você todas as vezes, mesmo quando meus olhos estão fechados ou sua presença não esteja tão próxima... Mas do que adianta nutrir por você algo tão... tão... Não consigo colocar  em palavras... Do que adianta meu esforço? De tantas maneiras tentei... E você não iria se importar mesmo com essas palavras... Sou apenas um brinquedo que, para você, é um adendo de seu ego. Não te entendo.
Sabe o que pode parecer bobo? A minha visão sua... Te vejo como um belo príncipe, de cabelos pretos, de sorriso encantador... Ri agora... Seria possível? Uma criatura digna de enamorar, encantada por ti... Encantada por um ser que só tenho acesso na minha tenra imaginação... Às vezes te imaginar chegar a ser tão bom, tão bom, que algumas lágrimas são liberadas pelo meu olho direito... Lágrimas de como minha imaginação me permitem tal sensação... Uma vez, sabe?, imaginei correndo em sua direção e te dando um abraço... Nessa você me abraçava tão forte, assim como eu retribuía com a mesma força, ou com o mesmo intuito. Seria a tua princesa de você fosse o meu terno cavalheiro... Do que adianta? Só levo escanteiamento de sua parte... É por isso que a ideia de que você não liga para mim surgiu. Se você se importasse verdadeiramente comigo, não me faria sentir tal sensação. Dá última vez que falei contigo, te achei frio, distante... Não entendo o porquê de eu amar você. Você só me faz me sentir como a menor criatura existente na face da terra. Eu gostaria de um dia olhar para ti e pensar ‘não nutro nada. Não o desejo. Nem fisicamente nem psicologicamente’. Quando chegará esse dia? Não faço ideia... Só gostaria que eu amasse alguém com tal furor, com tal intensidade, e a mesma retribuísse tal zelo, tal carinho por mim...
Alguém que não me deixasse partir.    
Sinto que essas palavras  serão jogadas ao vento sem piedade e sem nenhuma reflexão... Mas como calar o que a minha mente teme em martelar? Acho que isso seria mais um desabafo do que outra forma de texto que eu poderia qualificar... Tenho quase certeza quem nem a este texto terás acesso...

terça-feira, 31 de julho de 2012

Banho


                 Dia quente... Estava muito quente... Entrar no banheiro seria uma ótima ideia... A água fria tocou primeiramente nos meus cabelos... Desceu lentamente pela curva do pescoço... Por sobre a minha face lavou-me os olhos... Como uma carícia delicada desceu por entre meus seios... Estava quente agora... Apesar do leve arrepio que me deu... Ao chegar à altura no umbigo, fez alguns contornos, que acompanhava cegamente o desenho do meu corpo... Minha mão desceu um pouco com o sabonete... Roboticamente fiz os mesmos movimentos... Com as mãos espalmadas... Começando na cintura, subindo e descendo... No meu pescoço, na nuca, num braço... Na mão... Desci o corpo, só da cintura para cima, para alcançar meus pés...  Minha panturrilha... Até conseguir finalmente ficar ereta... Era gostoso sentir aquela espuma sobre o meu corpo... Era deliciosa a sensação de ter algo me massageando... Levemente a água recomeçou a passar novamente por mim.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Deserdada

- Pai... Então você... A casa... - O que tem a casa? - A casa é de sua esposa? Tipo...Fisicamente... Ela está no nome dela? Ou isso é uma espécie de metáfora? ... Digo isso por imaginar que... Que quando se casa... A mulher... De certa forma... Toma o controle da casa... - Não. Ela é dona desta casa. Está no nome dela. - Na hora do acordo com a tia... Vocês uma parte a sua irmã mais nova... Sua esposa ficou... Com a casa... - Mas ou menos isso. De repente ela para de falar, olha para uma direção cega por alguns instantes. Ao voltar a olhar pra ele, os olhos estavam marejados de lágrimas. - O que foi que eu fiz, pai? Para o senhor ter me deserdado? Sou filha do primeiro casamento, mas me sinto como se eu fosse um caso... Eu envergonhei-te de alguma maneira? Meu sentimento de escanteamento já vivia comigo, e agora?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Histórias e histórias...

Como esquecer do primeiro encontro? Da primeira tentativa  de beijar? Como esquecer da primeira briga? Ah... Esse ai ninguém esquece... Sabe por quê? Porque o medo de perder o outro pode ser tão grande, tão absurdamente exagerado, que a reconciliação pode ser mais do que uma simples troca de carícia. É algo que envolve tudo. Cérebro, pulsação, coração e bastante, bastante mesmo, emoção.  Os primeiros são o que sempre marcam. Sempre. Sabe o porquê eu digo isso? Por um simples fator: fomos feitos para aprender, para digerir cada nova sensação que conhecemos. Tai um dos motivos que não esquecemos tão fácil nosso primeiro (a) namorado (a). Há sempre uma lembrança, seja boa ou ruim, mas sempre há. Há o desejo de toque, o do contato físico e emocional. Há pessoas que dizem que gostam de manter a amizade com o ‘ex’, mas essas, talvez, desde o princípio só desejavam a amizade mesmo. Não há como manter a mesma relação que existia entre o ‘inter-relacionamento-mais-que-amigos’, pois a lembrança é viva demais, o desejo de ter aquela convivência é forte demais. Amizade entre ‘ex’, nobre leitor, ao meu ver, é quase inacessível. Amigos, amigos. ‘ex’ a parte.

sábado, 10 de março de 2012

Amigas (Amigos)

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Amigas (Amigos)
Mesmo assim, amigos.
Seres estranhos que, depois de um tempo, se tornam quase irmãs (irmãos).
Conhece nossos segredos, sabe dizer quando estamos realmente maus e sabe, até do outro lado do atlântico, verdadeiramente nos animar. Sabe quando estamos omitindo uma informação e sabe ser discreto quanto a isso. Sabe nos fazer falar algo sem precisar pedir diretamente (alguns conceitos da pragmática são bem úteis aqui).
Sabe do que gostamos e, acima de qualquer outra coisa, do que não gostamos. Conseguimos nos comunicar mesmo sem ter que usar palavras. Conseguimos rir juntos sem muito esforço. Se formos parceiros de classe, ai que a coisa complica. Fazemos trabalhos, seminários, resenhas juntos. Estamos juntos até a final... Quero dizer, até as provas finais, principalmente se levarmos em conta as conversas durante as aulas...
Dançamos, cantamos, tiramos onda com a gente mesmo. É uma das únicas pessoas que realmente levamos a sério quando diz que estamos fazendo algo errado, tirando, é claro, esses lances que envolvem o coração, pois, quanto a isso, estamos verdadeiramente seguindo o nosso tato. Se der certo, eles se alegrarão com a gente, se não, estenderão o ombro, darão conselhos e dirão ‘bem que eu te avisei’.
Depois de um tempo, podemos até brigar e passar um tempo sem nos vermos ou nos falarmos. Mesmo com esse afastamento físico, temos a nítida impressão de estarmos ainda ligados, pois ainda pensamos um no outro. Se formos verdadeiramente amigos, voltaremos a nos falar.
Somente isso,
Mais nada.
Pois, se formos realmente amigos, estaremos sempre juntos.
Mesmo assim, Amigos.