quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Mil Peles - Introdução


  Certa vez, há alguns séculos atrás, num reino não tão diferente dos outros reinos, havia um rei sábio e cheio de atributos físicos. Chegou a época de ele se casar, e, como qualquer outra história, procurou uma princesa, uma que seria a altura de sua realeza. Na procura, que não demorou muito, encontrou uma bela jovem, que era a filha mais velha de um rei que ficava próximo ao seu reino. Ela era bela, de olhos claros, cabelos lisos e bem longos, seu olhar era bastante cativante e o seu sorriso era o sorriso mais belo e mais brilhante que ele já havia encontrado. Seria uma rainha brilhante. Ela sabia fazer muitas coisas, ela era inteligente, mas a sua beleza era maior do que qualquer outra coisa... De veras a beleza física passaria, mas era jovem ainda, assim como ele, e teriam muito tempo para desfrutar disso. Acordos foram feitos e a união foi selada da maneira mais vantajosa para os dois reinos. 
      Anos se passaram e eles tiveram apenas uma filha, tão linda e encantadora quanto a mãe. Os dias se passaram tão rápido que os meses nem puderam descansar, e os anos foram praticamente sopros, nem o sol e a lua poderiam explicar tamanho rapidez do tempo... Pois o tempo para o rei era repleto de acontecimentos felizes, aproveitava cada momento plenamente... Era feliz, de fato, ele havia muitas razoes para retornar ao seu castelo... Afinal, não era qualquer homem que tinha uma bela mulher quanto a sua. Como todo rei, ele saía em busca de acordos e afazeres reais. Não tinha como costume deixar as coisas nas mãos de empregados e servos. Afinal, um bom reinado era aquele em que o rei sabia exatamente onde a sua fortuna crescia e das alianças entre reinos. Numa dessas viagens ele encontrou uma doença, uma doença tão horrível, que o obrigou a voltar para casa e ficar semanas na cama... O reinado ficou nas mãos de sua rainha. Tudo ficou bem depois que ele ficou melhor. O rei ficou feliz pela prosperidade que o reino vivenciou. Ele ficou orgulhoso de saber que a sua esposa tinha essa habilidade. O tempo foi passando e a rainha caiu com a mesma grave doença na cama. O tempo passando e a rainha não melhorava. Nada que havia feito o rei se recuperar. As semanas foram se passando e o adeus a vida terrestre da rainha foi se tornando uma ideia cada vez real. O rei nunca havia pensado que ela iria morrer antes dele... Ela era mais nova do que ele quase dez anos... Não seria justo que ela partisse agora... Ele visitou o quarto dela e quase não reconheceu o rosto tão amável, tão delicado, tão... Ela estava com o rosto muito pálido, seus olhos já não transmitia a vida que ele sempre via quando os observava... O silencio  era quase sepulcral... Ele chegou e sentou na ponta da cama, ao lado dela. Como uma jovem tão bela e tão graciosa poderia cair em tal enfermidade? Ele poderia trocar de lugar com ela, só para que ela não tivesse mais essa moléstia... 
Ele observou mais uma vez o rosto dela, até que os seus olhos ficaram presos nos dela. 
-Antes que você derrame uma lágrima de seus tão belos acastanhados olhos pela minha partida... -parou, respirou fundo, como se ela procurasse as palavras certas para serem ditas - Eu quero... -parou e respirou ainda mais fundo, como se tentasse arranjar energia para proferir cada palavra - Preciso que você  me prometa uma coisa: Só se casarás com uma mulher tão radiante e brilhante como eu, alguém tão bonita  e confiável e habilidosa e genial. Que possua os cabelos tão perfeitos, com os olhos que radiem alegria, com uma inteligência inigualável, com... Com uma paciência de deus como a minha.- 

Ele esperou que ela terminasse de falar, mas prestava a atenção a cada palavra que ela proferia. Aquilo ali, o que ela pedia, parecia uma coisa difícil, uma vez que ela era a mulher nobre e com os atributos de se encontrar, ao menos todos eles em uma pessoa. 

-Eu prometo, minha doce amada, que jamais me casarei com alguém inferior a você.- 
E a rainha deu seu último suspiro. 
O rei percebeu  que ela havia partido, se levantou, mandou que todos saíssem, quando o fizeram, certificou que a porta estava trancada e voltou para cama. Viu que seus olhos ainda estavam abertos. Os Olhos ainda estavam abertos... Eles eram o mais perfeitos olhos castanhos que já havia encontrado... Quem diria que iria existir dois tons daqueles no mundo? Não, não iria ter. Sua pele... Que pele macia... Passou a mão pelo rosto dela, ainda estava quente. Foi descendo pelo rosto, alisando-o, de uma maneira tão minuciosa, como se ele quisesse guardar na memória cada traço daquela tão perfeito corpo. Parou a mão na altura da maçã dos seios... Tao volumosos era... Então fechou os olhos e fechou a mão onde antes só havia alisado. A sensação ainda era a mais agradável que havia encontrado. Ele lembrou as maneiras de como ela se contorcia, de como ela reagia quando ele a beijava entre aqueles dois pontos... Foi aqui que ele abriu os olhos e começou a desabotoar o vestido dela; Em alguns instantes ela estava desnuda da cintura para cima. Então ele fechou mais uma vez os olhos  e beijou cada seio e apertou-os e fez diversos outras tantas coisas que sempre fazia com aqueles fartos que sua esposa possuía... Olhou para ela... Ela continuava inerte na cama... Talvez devesse fazer outra coisa... Será que ela já havia feito a passagem dela da terra para o céu? Ou havia fragmentos da alma dela no corpo? De todo o modo, ele se deitou ao lado do corpo dela e fez a mesma coisa que ele fez no dia em que consumou o casamento...
O Rei passou muito tempo sem se ocupar com os afazeres reais... Mas a história não gira em torno da morte da rainha e nem do luto do rei, então iremos pular essa parte, simplificando apenas em dizer que houve uma profunda depressão no reinado e no próprio rei. O rei não se sentia bem em viver o luto perto das pessoas que o conhecia e simplesmente se afastou. O conselheiro pessoal encontrou o encontrou e conversou com ele. O rei precisava se casar novamente, ele precisava de um herdeiro homem. Então o rei contou a promessa que havia feito e com o consentimento dele, o conselheiro começou a procura. 
 Os meses foram se arrastando e a procura não tinha um resultado positivo. O rei caminhava perto perdido nos pensamentos de quando ele havia conhecido a sua esposa... Ele prendeu o olhar a uma figura que caminhava na outra extremidade do lago... De um sorriso jovial, radiante e feliz. Ela vinha ao seu encontro e parou e olhou para ele.  
-O senhor está bem, papai?  
-Sim... -   
-Eu só queria saber... O senhor está melhor? - Ela falou isso com uma voz tão terna que ele sorriu ainda mais.  
-Estou bem melhor agora... Você é linda, sabia?  
-Obrigada, papai. Faz muito tempo que o senhor não fala isso para mim.  
-Você está quantos anos, querida?  
-Vou fazer dezesseis na próxima estação... Não se lembras?   
-Você já tem a idade que a sua mãe se casou comigo, sabia? 
-Acho que não. Mamãe falava pouco sobre isso comigo, papai. 
-Você é tão linda quanto ela, sabia? 
-Não. Mamãe era uma mulher linda. Ela é, mesmo não estando mais aqui. 
-Você é tão generosa quanto ela, sabia? 
-Mamãe é uma pessoa brilhante. Sinto falta dela. 
-Você é tão radiante quanto ela. - E guiando-a para que ela se visse no lago, continuou - Você não precisará sentir falta dela, basta que você olhe o seu reflexo e verá a sua mãe em você. 
-Verdade, papai? 
-Sim... Preciso contar algo a você. Algo que a deixará feliz. 
-O que é? Fale! Estou ficando curiosa! 
-Eternamente curiosa você será. Sua mãe também era assim. 
-Fale, fale! Mil vezes fale! 
-Fiz uma promessa a sua mãe: eu não poderei casar até que encontre alguém tão brilhante quanto ela! 
Por um momento ela se questionou o porquê ela iria ficar feliz com aquilo, depois fez a ligação do que aquilo poderia significar... E os seus pensamentos não indicaram algo bom... Indicaram algo péssimo... Ele estaria mesmo propondo aquela ideia absurda? Céus! Isso não poderia ser verdade... Isso não era verdade! 
-Por que eu ficaria feliz com isso, papai? 
-Porque você é a única que se enquadra nisso. 
-O senhor quer dizer que... - Ele cortou a fala dela, com a voz cheia de expectativa. Como se estivesse ao ponto de indicar uma ideia estupenda.  
-Que estou te pedindo em casamento. Isso é extraordinário!

Em Breve a Parte 2
        

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