Já leu a Introdução?
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E ela estava com aquele ar triste,
que era bastante incomum para uma criança de seis anos, principalmente para esta que era tão risonha e amável. Eu olhei para a mãe dela, que era a forma adulta da filha, tão bonita quanto. Talvez tenha sido por este espírito que ela tinha, por esta animação de ver o novo em que situações demonstravam. Ela notou que eu olhava-a e deu um sorriso simples, aquele que sempre vinha acompanhado de uma pergunta. E ela o fez: ''Tem certeza que tens que ir?'', ela se aproximou de mim. Do que ela temia, afinal? Ela falava com se temesse por algo. Eu sorri e toquei em seu rosto e respondi: ''sim, eu tenho.''. Não seria uma longa viagem, eu estaria viajando por duas semanas, mas as minhas meninas, minha filha e a minha esposa, pareciam temer que algo fosse acontecer. Eu dava crédito a minha esposa quando ela dizia que iria chover, pois era tiro e queda. Mas agora, eu não entendia. ''Eu vou a Alemanha, passar apenas alguns dias. Farei uma escala depois disso na Geórgia, visitar meus pais. Eu volto''. Senti algo estranho no meu peito. ''Você volta mesmo?'', minha filha perguntou-me. ''Sim, eu juro'', falei.
Eu a abracei e vi que em seu olhar havia um brilho diferente. ''Hora de você dormir, garotinha'', falei olhando minha filha. ''Podes me colocar na cama, papai?'', e eu simplesmente disse ''sim''.
Uns trinta minutos depois, ele sai do quarto dela e encontra a sua esposa em pé.
-Não foi dormir?
-Eu não consegui.
-Você ao menos tentou?
- Sim, eu acho.
-Você acha?
-Deitei, mas lembrei que não estavas ali. Eu quero passar esta última noite com você.
-Mas esta não será a ultima noite com você. Eu viajo amanha, mas estarei de volta em duas semanas e...
-Não. Eu sei, é só que...
- Eu já disse que não precisas ter medo. Voar de avião é mais seguro do que de ônibus, por exemplo.
- Por favor, Shota, não é o meu desejo que você me convença que esta não será a sua última noite comigo. Apenas desejo passá-la com você.
- Agora eu entendi. Eu só...
E antes de completar o que ia dizer, ela se aproximou de mim e tocou-me no rosto com a palma da mão. E o silencio se fez em nossa boca ali. O toque havia sido carinhoso e aumentava a cada segundo enquanto ficávamos ali. Havia algo dentro de nós que nos aproximava. Eu olhei para ela e ao poucos fui cedendo. Eu não iria sair tão cedo, mas ela iria ficar cansada com certeza. Mas havia algo esta noite mais forte do que o de costume. Como se aquilo, fosse sumir ou explodir. Era algo que misturava desejo e medo. Era algo repleto de amor e temor. Mas isto era apenas uma viagem, apenas uma viagem! Já havia amanhecido e as trocas de carinho ainda não havia cessado.
-Você não vai dormir?
-Vou sim.
-Então o faça.
-O farei, pois sei que estás aqui.
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