sexta-feira, 12 de junho de 2015

Término


Estava em um bosque caminhando e pensando em tudo aquilo que havia acontecido... Eu estava triste e não conseguia entender o motivo de termos terminado...  
Eu olhei para o banco e vi o reflexo de um agora que não existe mais... Eu estava, de veras, muito triste. Como eu e ele não estávamos mais juntos? Éramos perfeitos juntos... Eu me sentia tão ampla, tão completa, tão brilhante ao lado dele... E agora a única vontade que eu tinha era de chorar...  
O banco cheio de flores, cheio de uma aura de felicidade, que agora estava vazia... Olhei o céu, de um imenso e tenro e terno azul, agora estava tão opaco, sem nenhuma emoção. A única coisa que eu poderia notar, o que eu poderia sentir, era o único desejo de chorar... Eu já não tinha o meu ser a quem eu tanto amar... Ele? Ele, minha cara amiga leitora, e meu caro amigo leitor, ele era o céu em que eu descobri o mais sincero e límpido desejo de amar.  
Ele era o cara que eu, de fato, não amei pelo primeiro encontro, tão menos o cara em que eu gostei do beijo, nem mesmo o cara que me fazia sonhar. Ele me conquistou pela gentileza e pelo real desejo de ficar ao meu lado, coisa que eu só vim a perceber no segundo encontro. Ele era diferente dos outros caras que até então eu havia conhecido, ele tinha algo de diferente.  
E agora só havia lágrimas em meus olhos. Sentei no banco e tentei relaxar, porém as lágrimas surgiriam ainda mais em mim, e não pude controlar. Deixei que elas lavassem meus olhos e os deixassem avermelhados. Se antes eu tinha alguma dúvida de que eu o amava, agora isto havia sumido. Havia desaparecido qualquer dúvida em mim. Havia feito perguntas a mim mesma se, de fato, iria poder me reencontrar com ele novamente. Ele... Quem era ele, afinal?  
Ele havia me presenteado com o maior presente que se pode dar a alguém, ele havia me ensinado a amar.  
Ele havia me amado, ele havia me conquistado, ele havia me encontrado. E agora eu não sabia ao certo o que deveria fazer... Ele é o anjo que os céus me enviaram, ele é o ser que agora vive em mim, mas não mais ao meu lado. Éramos um casal, agora era apenas eu aqui e ele... E ele? Bem, não fazia a menor ideia. Já não estávamos juntos. Já não era o “nós”, agora era o “eu” e o “ele” que existia.  
Tudo começou, ou findou, na semana passada. Ele tinha que se mudar por conta de um trabalho. A minha necessidade de encontrar com ele era tanta que me deixava em um nível de espera... Me deixava com um nível de nervosismo muito grande, e a única real vontade que eu tinha era de me encontrar com ele. Discutimos por baboseiras no telefone, e em seguida não nos falamos mais. Agora estou caminhando no parque, triste, e achando que o meu mundo acabou. Eu estava triste. Eu gostaria de gritar o que eu estava sentindo... Mas não consegui contatá-lo. Não consegui mais encontrá-lo online. Eu estava no último pensar , na última esperança...  
Voltei para casa, na esperança de que ele me ligasse, ou que eu encontrasse alguma mensagem dele online. Ao chegar em casa me deparo com uma carta... Era dele e só havia uma mensagem ali: “não estou preparado”. Foi a única coisa que ele escrevera. Sentei no degrau da porta e ali mesmo chorei. Chorei como se tudo o que eu esperava não fosse mais acontecer. Estava arruinada. Perdi meu chão, perdi qualquer noção do que eu poderia ter feito. Ele não estava preparado pra ficar comigo, era isto? Ele não poderia mais viver comigo? Nossa relação havia, de fato, findado? E as perguntas, que eu não encontrava respostas, me machucavam ainda mais... Ele havia terminado comigo. Um mensageiro chegou e procurou pelo o número do correio de minha casa, falei que era eu a proprietária, e ele sorriu, me deu um papel, escrevi o meu nome, ele me deu um pacote, e foi embora. Abri ali mesmo, eu não iria ao meu apartamento, eu não teria essa condição toda. Ali se encontrava todas as nossas fotos. Havia presentes, os que eu dera a ele, e havia um envelope dentro. “Não consigo mais, por favor, entenda!”. Ele havia devolvido tudo, e cada vez mais eu me machucava com aquilo ali. Era sufocante. Subi as escadas, e vi um pacote na frente da porta de meu apartamento. Era pequeno e de cor azul. Ao abrir, vi que estava escrito um “sinto muito, sei que não deveria fazer mais isto”, e ali se encontrava a data de nosso primeiro encontro e um cartão de memória. Abri a porta e fui ver o que estava ali. Era um vídeo de nosso aniversario de um ano juntos... Ele rira, ele estava... nós estávamos brilhantes... Ao final do vídeo, estava escrito “Não posso mais ter esses momentos outra vez”. Eu daria de tudo para ter sim. Eu o queria.  
A campainha tocou, e dessa vez era uma amiga minha, em comum a ele. Ela havia marcado algo comigo hoje e, que por infelicidade, eu havia esquecido. Ela trouxera bolos e chocolates. Um pouco de vinho e um prato salgado à base de galinha. A campainha tocou, mas como eu tinha ido tomar banho, ela foi atender.  
Eu coloquei um vestido azul, bordado, porém básico, algo pra ficar em casa, nada sexy. Olhei no espelho e me perguntei quem era aquela que eu olhava, quem era que estava no reflexo?  
Saí e escutei uma música calma, e estava tão triste, que eu ia apenas desligar o som, pois aquela música sempre me fazia lembrar dele.  
Entrei na sala e me dei de cara com ele.  
“Eu não estou preparado pra viver sem você, não consigo ter outros momentos com os que eu tive com você com outra pessoa, eu não consigo mais. Por favor, volta pra mim. Volta? Casas comigo? Casa?”  
Foi esta mensagem que ele me disse, que os olhos mais doces e carinhosos que eu encontrei na minha vida. Ele chegou até a mim e não disse uma palavra, me disse apenas que queria se casar... Olhou nos meus olhos, tocou em minha bochecha e sorriu, a vontade que eu tive era apenas de estar com ele. Agora eu não tinha ideia do que eu deveria fazer. Ele tocou nos meus lábios com a ponta do dedo, e a outra mão subiu pelo meu braço, passando pelo ombro, no pescoço, e depois me beijou.  

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