Cheguei em casa, toda ansiosa. Seria hoje! Banho mais que caprichado. Maquiagem no rosto, vestido xadrez, justo na cintura e um pouco armado na altura do quadril. O vestido era curto. Perfeito, pois caia no meu corpo como uma luva. Sapatilha de saltinho. Estava maravilhosa. Eu sabia o que eu iria causar quando passasse... Não foi a toa que eu havia me preparado toda. Eu estava magnífica. Ao contrário de minhas irmãs, eu não era tão desenrolada no quesito de relacionamentos. Bem, eu estava ali. O forró já havia começado. Ninguém ousara a me convidar. Acho que eu estava dando medo. Enfim, comecei a dançar só. Com algumas músicas eu já estava me divertindo pra caramba. De repente um rapaz, de tão aperfeiçoado que quase me fez parar de dançar, me puxou e começou a dançar comigo. Era um estranho, de fato. Mas o que eu poderia fazer? Dizer que não, que não poderia falar com estranho? Que ele era tão belo, que ele me guiava esplendidamente, como se ele quisesse marcar território em mim? Uma dança se passou, uma outra e mais outra. A noite foi simplesmente brilhante. Nos despedimos. Eu dei uma volta pelo lugar e tentei achá-lo. Ele não estava ali. Algo em mim fez-me pensar coisas tão ruim que a única vontade que eu tinha era de correr, de sair dali o mais rápido possível. Fiquei profundamente chateada. Terrivelmente chateada. Custava pra ele ter me avisado? Seria bem mais simples. Queria fugir. Sai daquele movimentado lugar. No canto havia algumas árvores. Sentei de baixo de uma mangueira e deixei que escorresse todas as lágrimas possíveis pelo meu olho direito... Sinto um toque quente no meu ombro. Com o susto, levantei bruscamente. Levantei a minha bolsa e comecei a atacar o ser que havia me assustado. Não havia ninguém lá. Atrás de mim só tinha o nada. Ao me virar, deparei-me com o rapaz de camisa de xadrez que a pouco eu havia dançado. Ele olhou pra mim com seus olhos pretos de uma forma penetrante que arrepiou cada fio dos meus cabelos cacheados. Ele levantou o meu rosto com a mão direita e com a esquerda secou as lágrimas que caiam. Depois daquele desastroso encontro, eu não fazia ideia de como eu iria me portar. Eu havia ido lá encontrar um rapaz que não havia comparecido, e acabei conhecendo esse atencioso rapaz, que, praticamente, havia modificado completamente a minha noite. Ele continuava a olhar pra mim. Ele não falava nada, em absoluto... Por qual motivo? Ele estava me deixando curiosa. Bastante curiosa. Ele usou a mão que havia secado minhas lágrimas pra colocar uma mexa dos meus cabelos atrás da orelha. Foi quando o cel vibrou. Eu não queria interromper o contato visual. Mas o telefone insistia tanto. Ele notou a minha dúvida e fez um gesto pra que eu pegasse o celular. Ao pegar o cel percebi que era uma mensagem que havia chegado. 'seu vestido de tons azul, vermelho e lilás é lindo'. Ele havia mandado a mensagem. Mas como? Ele me vira procurando e mesmo assim não fizera nada? Outra vez o cel vibrou. 'não acredito que você ainda não tenha me visto'. Levantei a cabeça e vi que o rapaz na minha frente estava com um aparelho na mão. Eu não tinha notado antes. Ele olhou pra mim, apertou uma tecla no telefone, e a mensagem chegou pra mim... Dizia que... 'não chore garota. Eu estou bem aqui'. Me virei pra ele e perguntei 'como?' ele simplesmente dígitou 'você mentiu quando disse como era a sua aparência. Só descobri que era você quando começou a dançar como se fosse o instrumento do mais puro prazer. Você é a garota que eu passei as últimas quatro horas esperando. Não chore mais, estou aqui'. Quando terminei de ler ele estava a dois centímetros dos meus lábios...
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