Subiu no ônibus três garotos. O tom de pele, dos olhos, dos cabelos eram semelhantes. Seriam irmãos? Uma possibilidade. O primeiro a passar pela catraca era o mais jovem. Os outros dois... Tinha mais que quatorze, mas não mais que dezesseis. Em uma hipótese, não muito remota, teriam treze. O mais novo, talvez o mais fofo, sentou na cadeira destinadas a cegos, aquela que fica ao lado do espaço para cadeirantes. Enquanto guardava algo na bolsa, um dos outros mais velhos, continuava segurando a bolsa, esperando que o garotinho findasse. O terceiro garoto chegou no mesmo instante que o segundo dava a bolsa para o que estava sentado. O menininho disse 'me dá a tua bolsa' e olhando para o outro disse 'a tua não. Está molhada', mas pelo o que eu percebi, o outro ignorou completamente o aviso e deu mesmo assim. Aquele garotinho... Teria dez anos? Não tinha menos que oito, mas com toda a certeza não teria doze. Seus olhos maroto, sua curiosidade nata se manifestando a cada palavra que ele pronunciava... Eu continuei olhando pra ele... Ele falava, falava e falava... Olhava mais para o último dos mais velhos, mas este parecia que o ignorava de propósito... Ele olhou pra mim... Nossa, e agora? Decididamente desviei meu olhar... Agora eu teria que ter cuidado pois ele percebera a minha atenção por ele. Garoto tão jovem... O ônibus acabou lotando.
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