domingo, 15 de julho de 2012

Um motivo para reatar


Estava eu aqui... Sentindo um medo terrível em mim... Estava frio... Muito frio... Chovia lá fora e muito. Eu estava com muito medo... Como eu poderia sentir tal dor? Ele estava ali... E agora não mais... Havíamos brigado, de fato... Eu deveria agradecer por isso? Eu era uma tola, isso mesmo... Palavras foram arqueadas, foram manipuladas a ponto de nem saber ao certo o que dizer e como dizer... Se eu havia me arrependido? Talvez... Palavras são ferinas, mas a ausência de ações é o que corrói minhas veias... Não interessa qualquer coisa, como reflexão do que foi dito, pois já havia sido dito... Quem iria ligar para o meu ciúme? A garota praticamente se jogava pra ele... Ele tinha que acabar cedendo... Tola. Idiota... Eu olhava confusões no céu... Seria o sol desejando aparecer ou a nuvem desejando purificar e diminuir o calor do sol? Quem se importava com isso? Lá no fundo tinha dois coqueiros juntos... É... Eles estavam juntos... Até dois seres que nem podem se mover haviam arranjado um par... Eu também tinha... Mas... Sei lá... Às vezes gostaria que ele gritasse comigo, dissesse que todos esses meus pensamentos estavam equivocados... A chuva começava a cair fininha... Bem fininha... Meu vestido era vermelho... Vermelho vivo, De uma maneira que, se eu quisesse, ele rodaria... Eu briguei com ele. Eu briguei com ele? Isso era verdade, pois nenhuma palavra havia sido pronunciada por ele. Quem se importava com isso? Uma música cubana começou a tocar... De onde apareceu ela? Não havia bares por perto... Não havia nada por perto, só a minha casa... Eu estava só... Um lugar longe, muito longe... Os celulares não tinham sinais aqui, tão menos internet pegava... Eu queria fugir de tudo e de todos... Não conseguia ficar sem acessar o perfil dele, não conseguia não enviar mensagens... Não conseguia me fazer me afastar dele... A música ainda estava rolando... Eu adorava aquela música... Comecei a dançar. Não havia ninguém próximo a mim... Sem querer o riso foi brotando dos meus lábios, sem querer fui me empolgando com a batida... Sem querer fui esquecendo o motivo de eu está ali...
Esqueci que ele era um louco narcisista, meio presunçoso, arrogante... Ele guardava uma ferida aberta de um amor mal curado... Ele era um príncipe, educado, sensível e carinhoso... Que se escondia por trás de um machista...
Nem aquela música me fez esquecer essa dúbia visão que eu tinha por ele... Às vezes me odiava só de imaginar que eu  amava-o e que isso me deixava esquisita... Esquisita por não saber o que sentir... Ele me fazia rir, me fazia desejá-lo de uma maneira tão... Tão... Tão diferente... O desejava com sentimentos, o desejava, também, com o meu corpo...
A música ficava mais alta... Finalmente entendi que havia outra pessoa ali. Ninguém conhecia esse lugar... Ninguém... Desci correndo das escadas, quase escorregava pelo tapete-vermelho com traços azuis marinhos que ficava ao pé da escada... Cheguei à sala... Respirei doze vezes... Olhei pra fora... Não era o carro dele, era o da minha irmã... Essa casa era minha e dela... Por um momento imaginei que seria ele... Deveria ser ele... Poderia ser ele... De repente caiu sobre mim uma coisa involuntária... Eu havia dito coisas terríveis a ele, provavelmente não o veria mais... Sentei no banco de pedra no jardim, olhei ao longe o mar... Era tão lindo o mar em dias de sol, possuía diversos tons de azuis... Mas havia chovido a semana inteira... E estava com aquela cor verde-cinza... Baixei os olhos e comecei a chorar... Lágrimas desciam... Lágrimas frias... Eram apenas lágrimas... Lágrimas...
Percebi um movimento a minha frente... Não levantei meus olhos, já sabia que era a minha irmã. Só poderia ser ela. Uma mão encostou-se a minhas costas... E as palavras foram surgindo de minha boca...
 “Eu não te amo mais...”
O som aumentou... Era uma música que estava me deixando tranquila.
“Arinha, que música é essa?”, falei enquanto eu levantava o meu rosto. Ele estava ali... Era realmente ele. Seria imaginação minha? Ele havia me procurado.
“Menininha” ele começou. “Amar e não ser correspondido é normal” ele parou para ver minha reação. “Amar vai além de ter quem você quer. É querer o bem do outro, independentemente da aproximação. Requer sacrifícios... Principalmente quando essa pessoa não te ver mais como companheira”
Olhei o mar novamente...
“Como você conseguiu chegar até aqui?”, eu disse.
“Arinha disse, certa vez, que seria este o lugar que você viria”, e sentou do meu lado.
“Sabe, Garotinho, não vou pedir desculpas pelas palavras que eu disse”, eu disse.
“E eu nem aceitaria”, ele falou com firmeza, apesar de o tom de voz dele sair baixo.
“Já não sei o que dizer, eu já não sei o que de fato sinto.”
“Eu também não.”
E os dois continuam se olhando até que o sol se pôs...

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