quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Eles

Estava sentada na última cadeira da extrema esquerda do bus. Com pensamentos longe, não percebi quando eles sentaram mas cadeiras a minha frente. Um barulhinho me fez cair dos meus devaneios. Ele estava com o braço nos ombros dela. Ela com a cabeça no ombro dele. O vento entrou pela janela, fazendo que o cabelos voassem e fazendo, assim, uma mexa ficar estre os olhos dela. Com a mão livre, 
ele se adiantou, colocou delicadamente para trás da orelha esquerda dela. Neste movimento tão simples, estava concentrada uma ternura e estima tão grande, que a fez direcionar 100 por cento de sua atenção nos olhos dele. Um leve sorriso meio sem graça surgiu nos lábios dela. Ele desceu o dedo, que antes estava na orelha dela, e contornou-o seu rosto, numa carícia tão leve, de tão leve que mal tocava a pele dela. Por um breve momento, ou um tão longo por conta da intensidade de tal ato, eles ficaram olhando-se. Ai alguém teve o desprazer de pedir parada e me chamar. A parada havia chegado.

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