sábado, 8 de setembro de 2012

Entrevista


                Eu estava  naquela, nervosa, para ser entrevistada sobre o bendito livro que eu tinha escrito. Nervosismo prévio era natural, responder algumas perguntas para um intermediador e uma plateia de umas doze pessoas, a maior parte, com toda a certeza, seria os meus próprios convidados. Seria numa salinha do Jornal Diário. Olhei-me no espelho e vi uma garota linda e completamente assustada. Eu já tinha passado por aquilo algumas vezes. Seria apenas mais uma vez, certo? Uns retoques básicos de maquiagem só para dá uma cor a mais ao meu rosto. Sorri para mim. Daria tudo certo. Certo. Levantei da cadeira e peguei o meu roteiro de possíveis perguntas e fui trabalhando, pela milionésima vez, as minhas respostas cabíveis na minha mente. Respirei fundo. Respirei bem fundo. Peguei O Caminho que Trilhei e  fui até a sala indicada pelos auxiliares do jornal.
                As luzes iniciais me cegaram. Eu levei alguns instantes para me acostumar com aquilo. Percebi que não tinha apenas doze pessoas. O auditório estava lotado. Quantas pessoas poderiam ter ali? Duzentas? Minha sensação é que havia meio milhão. As pessoas estavam conversando. Menos mal. Sentei na cadeira que estava reservada a mim. Sejam bem vindos, ele dissera, ao programa Jornal Diário. Temos a participação de Anita Gongon. Bom dia Anita. Ele olhava para mim atentamente. Será que ele tinha idéia do quanto aquilo me deixava inquieta? Bom dia Otávio, bom dia Pernambuco! Tente soar o mais tranquilo que eu poderia ser.   Temos algumas dúvidas dos nossos expectadores mandaram.  Liria, de Olinda, pergunta como ou o que fez você criar essa história? Ele disse. Eu... Como? Tive um sonho. Foi algo simples, algo perturbado... Acordei no outro dia chorando. Eu anotei, sabe, o que eu tinha visto lá. Notei que todos haviam se silenciado. Aquilo não era um bom sinal. Todos estavam prestando à atenção em  mim. Terrível. Meus neurônios começaram a formigar. Eu deveria continuar a dizer algo? Apenas sorrir para o repórter. Ele notou o meu leve embaraço e começou a bateria de perguntas. Ele tinha idéia do quanto eu demorei a escrever aquela página? O livro demorara meses para sair. Pensei que ele iria solar de tanto tempo no forno

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