quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Um dia: 10 de Outubro

Com quatro coisa em mente eu sai. Faculdade, concurso, loja e Vem. Esperei pouco mais de 15 minutos esperando o ônibus. Sentei. Coloquei o fone. Quase não ouvia meus pensamentos. Se eu estava tentando fugir de algo? Provavelmente. Às vezes a música era capaz de suplementar os pensamentos mais ordinários. Uma leve dor de cabeça começava a atormentar na parte direita  da nuca, quase detrás da orelha. Como seria o dia? Eu não tinha ideia. Desci. Pra cortar caminho entrei nas Americanas. Se isso tinha sido a melhor das ideias? Se você desconsiderar o quantitativo de gente... Véspera do dia das crianças. Haviam reorganizado os produtos. Bonecas, carros, em destaques. Colocaram promoção até em cremes, claro, por que não? Se os pais iam comprar coisas pra suas crianças, poderiam aproveitar as ofertas. Além, é claro, das típicas promoções de salgados e doces... Aquilo ali é uma tentação de chocolate. Cheguei 13 minutos antes de o banco fechar. Ótimo. Havia pegado o número r196 e estavam... Nossa senhora! Ainda estava no r178. Eu ia passar o resto da tarde lá! Sentei. Afinal de contas, eu tinha que pagar mesmo! O cara que estava sentado no lado esquerdo, pelo o que eu percebi, tinha chegado dois minutos antes de mim, tinha umas seis pessoas na frente dele, ele era c171. O letreiro foi chamando, chamando, chamando... Tão rápido que fui atendida em quinze minutos. Quando me levantei, percebi, o outro homem seria o próximo. Respirei aliviada. Ainda bem que eu não tinha demorado tanto quanto ele. Sai dali com duas coisas resolvidas. Agora era só ver onde era a loja. Meu fone havia descarregado, fui obrigada a ouvir o que estava ao meu redor. Antes de atravessar a movimentada Avenida da Boa Vista, escutei uma cálida música, eu não teria ouvido se tivesse com os meus fones. Um sorriso surgiu em meus lábios. Eu gostava daquela música. Atravessei. Dessa vez não usei o caminho que tinha feito pra chegar ali. Havia um homem que falava próximo a mim. Quando chegou ao sinal, acabei 'entrando' na conversa dele. Ele dizia algo estranho, algo como 'as mulheres são muito carente. Quando não conseguem encontrar um homem... Acaba procurando uma mulher... Eu mesmo não trocaria uma mulher por um homem, mas entendo o contrário... '. Como ele poderia tá dizendo isso? Era a opinião dele. Parei e vi que a loja que eu tinha a suposição que era, na verdade era outra. Me ferrei. Eu não teria como encontrar agora. Pensei em jogar no Google, mas isso iria me tomar um tempinho. Eu sabia que tinha uma por perto. Continuei a andar. Fui interpelada por aquele cara que estava conversando atrás de mim. Ele me tomou uns oito minutos corridos. Gostaria que eu fosse um guia turístico pra ele. Queria mesmo conhecer Recife ao meu lado? Não tenho ideia. No final, pediu meu número. Eu não tenho o costume de sair distribuindo o meu número. Ele chegou a dizer que entendia mais das mulheres do que nós mesmas. Isso foi... Teria ele mesmo a audácia de acreditar naquilo? Eu concordo que ele era habilidoso nas palavras, poderia levar fácil-fácil a pessoa pelo seu magnífico nível de argumentação, mas considerar-se o 'tampa' no quesito mulheres... Achei isso hilário. Se dei o número do meu cel? Isso é completamente pessoal. No final ele disse 'fica por conta do destino' e eu fui-me embora. Por conta do destino? Danou-se foi tudo. Desci e subi vários lances de escadas, mas consegui encontrar a loja. Outra fila. Havia uma que era pra quem não tinha troco. Ótimo. Vasculhei em minha bolsa. Droga! Tinha que pagar quinze centavos. Achei cinco. Onde estava as demais? Só de cinquenta. Mil vezes aff ecoaram em minha mente. Sempre havia trocados lá. Por que justamente hoje não tinha? Eu não fazia ideia. Virei-me e questionei a mulher, que estava ante a mim, se ela trocaria os cinquenta centavos. Ela mexeu e acabou encontrando. Ótimo. Sai dali e fui pra fila dos que estavam com dinheiro sem troco. Ao sair de lá repeti, mentalmente, mil vezes que eu não iria fazer esse tipo de coisa quando fosse tempo de datas festivas. Havia tanta gente...

2 comentários:

  1. Acaso o "Vem" seria como o laranja nos chama para suas contas? Ou algo de origem mais doce? Gostei do texto e do cara sexista, tenho certo apego pelo tipo cafajeste...

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    1. O VEM é Vale Eletrônico Metropolitano, tanto é o nome do cartão quanto do lugar que se carrega ele. Um cartão que usamos aqui, em Olinda - Recife e suas regiões metropolitanas, para o deslocamento nos ônibus.

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