sexta-feira, 24 de maio de 2013

A paixão pela Sereia.

Entre as ilhas eu cheguei e não sabia o que iria acontecer agora...  Havia muitas lendas em costas brasileiras, sobre mulheres com corpo de peixes, chamadas sereias... Eu, marujo esperto, não cai tão fácil nessas baboseiras... Era irreal de mais... Mas agora eu estava perto do lugar onde os pescadores haviam fantasiado... Belas mulheres que cantavam um conto atraente e de olhos azuis e corpos... E corpos apetitosos... Numa ilha deserta? Um monte de mulheres assim? Isso é história da dona Carochinha...

Um canto leve se ouviu e em principio ele ignorou. 
O canto se intensificou e ele se encantou.
Virou o timão em direção onde ele pensava vir o som da voz...
Ao se aproximar, viu belas mulheres mergulhadas na água.
Com a pulsação acelerada, não pensou duas vezes e mergulhou na água.

Risos foram escutados e ele se aproximou ainda mais com mais ferocidade no nado. Ao chegar perto, descobriu que elas eram mais graciosas e mais lindas do que ele havia percebido. Tomou um fôlego maior e, nem parou para refletir nos motivos de tantas belas mulheres estarem tão distante de qualquer outra alma humana, seguiu nadando mais rápido.
Era uma sensação nova. Depois de tanto tempo sem encontrar uma mulher, por causa das dificuldade que o mar estava trazendo, havia poucas facilidades nos caminhos em que ele estava percorrendo... E aquilo era uma dádiva dos deuses...
Sereia
Desenhos baseados em base. Nossa desenhista Anna Carina (vide Imagens)
Os homens não mentiram que aquilo era uma apreciação sobrenatural. De todas as mulheres que eu havia conhecido, nenhuma se parecia com aquelas. Eram deusas jogadas na terra, só pode. Mulheres para acalmar a solidão do coração daqueles que navegam. Eram um jeito de aquecer as noites dos habitantes dos mares. O canto acalentava mais do que os olhos poderiam apreciar a beleza externa...
Chegou a ilha e descansou um pouco. Colocou as mãos sobre os joelhos e baixou a cabeça para pegar um pouco de fôlego... Quando subiu o olhar, deparou os olhos naquelas figuras sobre o mar, bem perto de onde ele estava.

Haviam várias, de tons diversos de cabelos castanhos. Não usavam nada para cobrir os seios além dos cabelos soltos, quando este os cobriam...
Silenciosamente fui me aproximando... Como bom brasileiro, me acheguei para conversar. Elas falavam português? Elas notariam o meu belo sotaque nordestino? Minha pele bronzeada era um contraste com a pele delas, como se raramente o sol chegasse a pele delas... Mas como isso poderia ser possível? Era verão agora e  o sol reinava com toda a pompa dele, ele deixaria sua marca até na pele mais clara da face da terra e, pelo o que eu pude perceber, elas não ficavam nem vermelhas.

Uma delas olhou para mim com um olhar ingênuo. Decididamente sorriu para mim. Era linda de mais.Ela estava meio na água, meio que sentada numa pedra. Ela desceu e mergulhou sentada na água e, simplesmente, desapareceu. Não ouvir mas os outros cantos, procurava-a por todos os cantos. As outras continuavam onde estavam, mas eu só queria está com aquela que sumira. Seria pedir de mais para ter algo carnal com aquela beleza da natureza?

Sai dali e fui procurá-la no mar... Minutos se passavam e eu não conseguia encontrá-la. Onde será que minha musa se encontrava? Um canto, bem leve, escutei. Olhei para a direção de onde eu imaginava de onde vinha a doce e tenra voz. Ela estava ali. Metade humana, metade peixe. Metade branca, metade azul. Seus olhos eram estranhos... Um tom de azul, ou cinza, ou simplesmente sem cor algum. Será que ela conseguia enxergar? Era estranho. Os cabelos dela era longos, mais longos que eu já havia visto... Eram ondulados como o mar... Era amável em sei, se não fosse seus olhos assustadores... Eu simplesmente queria que os olhos fossem diferente... Mas o corpo dela era mais do que suficiente para mim...

Cheguei mais perto daquele ser...
Ela sorria para mim...
Cheguei mais perto...
E o sorriso dela aumentou...
Entrei na água...
Ela estava entre as pedras e desceu novamente...
Os olhos delas começaram a me atrair...
Fiquei grudado naquele terrível-doce olhar...
Ela sorriu e caiu na água, ficando da cintura para cima descoberto...

- O que queres de mim, deusa do mar?
- Você.

E um segundo depois, ela simplesmente me beijou. Os olhos ficaram abertos enquanto ela me beijava. O que ela queria? Senti a mão dela descer sobre o meu corpo e começar a tirar a minha roupa. Não percebi em tempo, mas os cabelos dela estavam cobrindo todo o meu corpo... De repente perco os movimentos das pernas, o beijo ainda continuava. Minhas mãos tocaram o rosto dela... As mãos delas pegaram nas minhas e fizeram recair sobre a cintura dela, aproximando ainda mais nossos corpos...
Me vi preso nos olhos dela, minhas pernas pelos cabelos dela e não conseguia tirar as minhas mãos da cintura dela...

Aos poucos fui sendo arrastado para o mar e, quando eu menos esperei, já estava no fundo do mar. Eu não havia notado a diferença porque o oxigênio era passado para mim pelo beijo dela. Ela começou a fazer círculos comigo, cada vez mais fundo do mar... Eu vi outros pescadores ali, outros marujos, homens que haviam sido considerados mortos ou desaparecidos por suas famílias há décadas... E eles estavam ali, beijando sereias, como eu.

Percebi outros corpos, na verdade, esqueletos. Foi ai que caiu a ficha. Eu estava preso naquele beijo, eu não iria conseguir mais voltar para a superfície. Se eu quisesse continuar vivo, teria que continuar a beijar aquela sereia... Será que eu me cansaria de fazer isso?

Me senti preso pelos olhos, me senti preso... Sabia que eu não poderia ver a luz do sol, tão menos eu queria  parar de fazer o que eu estava fazendo...

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