Sempre houve uma fiscalização muito grande nos aeroportos quanto as drogas. Há seguranças, há cães, e há um monte de outras coisas que nós, civis, desconhecemos.
O que vou contar aqui foi algo que eu nunca iria acreditar se eu não tivesse visto. Estava eu no aeroporto, aguardando a minha mala chegar para poder sair dali. Na esteira de malas, que não sei o porquê de todas parecerem sempre iguais, e, pior, serem muitas. Estava distraída, e acho que eu devo ter perdido minha mala umas duas vezes, ou mais. O relógio nunca foi algo que me fazia mal, nunca fiquei preocupada em perder a hora. Enfim. Houve uma movimentação pequena próxima, algo que me fez sair do meu devaneio infantil, sim, infantil. Eu estava pensando numa música de abertura de um desenho animado em que eu tinha visto antes da viagem. Bem, este tipo de coisa só quem tem irmãos pequenos ou filhos, saberá o que é ter um refrão na cabeça, pequeno e completamente bobo, rolando apenas em sua cabeça.
Olhei o que estava acontecendo próximo a mim. Tinha uns cães farejadores ali, próximo a um cara bastante apessoado, que usava óculos e tinha uma barba bem feita. Ele parecia meramente um nerd, apesar de ser curiosamente atraente. Não que eu tenha reparado muito nele, mas sim na situação. Perguntaram-no o que ele levava na mala, e, de onde eu escava dava pra ouvir claramente o que ele dizia, a resposta em que ele deu era 'livros'. Os seguranças entreolharam-se, como se desconfiassem do que era dito. Claro, se fosse apenas livros, os cães não estariam tão agitados. Um deles disseram que eles teriam que abrir a mala, algo rotineiro para situação. Claro que eles não estava perguntando, eles estavam apenas informando sobre o que iria se passar. O cara, simplesmente assenti-o e deslacrou a mala. Quanta besteira aquilo, mas, como eu nunca tinha visto tal situação, fiquei observando ele destrancar.
Era curioso, bastante curioso, na quantidade de livros em que ali se encontrava. Fiquei me perguntando se aquilo ali era permitido, uma vez que poderíamos levar apenas 32kg em cada mala. Uma coisa era levar roupas e alguns utensílios, outra, completamente diferente, era levar livros, que aparentavam ser bem antigos, com capas grossas. Sim, a mala estava cheia disso, tão cheia que parecia a prateleira de uma biblioteca. Será que ele tinha comprado aqueles livros? Ou ele queria vendê-los? Um dos seguranças pegou um exemplar e abriu. Nada. Pegou outro e, como o anterior, absolutamente nada.
E assim se fez com uns quinze. Eles já estavam desistindo da ideia quando um dos livros caiu no chão, e, pelo que pude ver, nada de interessante aconteceu, apenas um estrondo moco no chão. O rapaz, que estava meio impaciente já, foi pegar o livro, no mesmo instante em que os cães latiu. Ele foi para trás e deixou que o policial pegasse o exemplar. Passado uns dez minutos, eles deixaram a ideia de lado e foram colocando os livros de volta. Um deles percebeu que a mão estava suja, o cara dos livros apenas disse que eles eram livros antigos, e que provavelmente isto não iria lavar tão fácil. Os cachorros estavam verdadeiramente inquietos. Eles não conseguiam se controlar, e avançaram pra cima do policial, não de morder, mas com os focinhos, apontando para a mão suja.
Na mesma noite passou no programa local de reportagem o que havia se passado no aeroporto. Coisa que, como eu disse, eu teria achado uma brincadeira bem bolada por uma mente criativa. Quem, pelos céus, iria acreditar em drogas 'impressas em livros?'. Claro, você pode ver isso todos os dias, que no lugar de tintas de impressora, a nova forma de gravar letras em livros, era com transformando em tinta a droga e adicionando em livros. Como isso era feito? Pensei um pouco, e achei isso meramente inteligente, pois ninguém iria desconfiar de tal ato. Ninguém. Ao menos eu não iria. E oura, seria fácil também para a revenda, pois você não precisaria de um extra papel para adicionar, ou seja lá a forma em que se usa isto.
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