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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Pesadelo: Faculdade


            Numa mistura de alpinismo local na faculdade... Eu tinha que chegar até a sala por um caminho nada tradicional. Como alguém poderia achar bom o lance de subir pelas paredes, andar em algo cuja função era a proteção do sol, numa estrutura tão simples, mas que se assemelhava ao protetor que as vendinhas colocavam na parede a fim de se esconder do sol? Além disso, eu deveria ser capaz de subir em algo que iria me deixar em um terceiro andar não existente na faculdade. Como se eu quisesse me esconder ou algo parecido, desci por aquele caminho. Algo começou a me perseguir. Começava a ficar com medo... Com medo? Não tinha razão pra isso. Mesmo assim, desci, quase caindo, do andar não existente. Vi um grupo de alunos se aproximando de mim. Era fim de tarde. Desci até a proteção e comecei a andar. Ninguém havia me visto. Comecei a pensar que havia sido uma bobagem em ter decidido ir por esse caminho. Algo moveu. Atrás de mim? Ninguém, absolutamente ninguém, conhecia este lugar. O espaço era curto, só dava pra caminhar ingatiando. Sai. Um homem alto, meio magro, meio forte, com uma camisa enegrecida, cabelos curtos, de tom alourado, estava com o olhar fixo em mim.
            Ele era estranho. Continuei a andar. Ele me acompanhava. Acelerei os meus passos, ele fez o mesmo. O toque do salto do sapato social dele era forte, ecoava no corredor. Numa tentativa frustada, corri. Eu queria não ter a consciência de ter percebido a ação que ele fez. Em alguns segundos ele tinha me alcançado, num dos corredores de esquina da faculdade. 'Mil vezes merd@' poderia ser ouvido de longe, se alguém escutasse os meus pensamentos. Qualquer um ouviria. Eu estava apavorada. Ele me pegou e me olhou penetrantemente, nos meus olhos. Ele possuía olhos azul, de um tom levemente louco. Estava eu em maus lençóis? Tipo, nos dois sentidos? Me encostou na parede fria, seu rosto chegou perto do meu, pouco mais de alguns centímetros dos meus lábios. O cheiro dele era adocicado, o terno que ele usava, era de uma aparência cara. O que estaria acontecendo?
            Se aproximou, devagar. Seus olhos não saíam da linha dos meus olhos. Comecei a ficar imprecisa no que fazer. Como uma faculdade tão grande como a minha, estaria vazia, ainda mais no turno mais agitado? O beijo foi gelado, de uma aproximação nojenta. Forçada. O que tinha em mente ele? Estava sentindo repulsa dele. Algo fez barulho no final do corredor. Ele se afastou um pouco. Na tentativa dele ver o que era, eu corri. Ele me seguia novamente. Eu estava ficando cansada disso.
            Cheguei, finalmente, no elevador. Cruzei os dedos pra ele não conseguir chegar. Porta fechada, começo a descer. Um pensamento começou a me perturbar: ele desceria? Sai. Andei. Eu tinha entrado num dos corredores, apesar de 4 anos estudando ali, nunca tinha visitado aquele. Tentei todas portas em que eu encontrava. Haviam sido lacradas. Um maldito vento frio entrou cantando de algum lugar no corredor. Tinha algum lugar com alguma janela aberta. Eu sabia que tinha. Mas onde? Comecei a escutar um 'tic-tac'. Inferno! Mil vezes droga! Eu não estava tendo o meu melhor dia. Uma porta me chamou atenção. Ela era de vidro. Não só a porta, mas todas as paredes ao redor tinha a mesma característica. Metade parede, outra um vidro muito forte. Ouvi um barulho no corredor. Só poderia ser ele. Me lasqueei. Não pensei outra vez, tentei abrir. Consegui. Algo fez barulho. Não me importei com qualquer outra coisa. Eu estava apavorada.  Eu não tinha ideia do que aquele homem iria fazer comigo, mas sabia que eu não iria gostar do que ele ira fazer. Um papel vermelho estava no chão, havia algo escrito nele... Mas eu não sabia ler... Não estava escrito em Português... Levantei o meu olhar e vi que ali tinha uma casa, uma casa cheia de árvores. Estava acinzentada.  O céu estava nublado. Estranho. Não sabia que tinha um anexo aberto dentro do campus. Comecei a andar. Na frente tinha a aparência de loja, cheia de manequins com roupa. Tinha folha seca em todos os lugares e possuía um silêncio sepulcral. Folhas foram amaçadas. Meus olhos viraram devagar para a o lugar que deveria ter sido o sujeito do som. Vi dois pastores alemães, eles eram enormes. Corri, corri, corri. Eles andavam atrás de mim. Céus... O que foi que eu fiz para merecer tal dia? Pediria mil vezes perdão, mas gostaria que esse tormento findasse. Entrei na casa, esbarrei em alguns objetos, que caíram no chão e se espatilharam. Com ferocidade os cães vinham atrás de mim. Da boca deles eram entoado o canto dos loucos. O canto dos atormentados. O canto dos medrosos. Os cantos amedrontados  Vi duas mulheres no interior da casa. Uma tinha aparência de uma policial, e, a outra, carregava alguma coisa no colo. Olhei para trás e vi que os cachorros haviam parado de perseguir. And now?  Parei. Em pé olhei a minha volta. Respirei fundo diversas vezes. Coloquei as duas mãos nos joelhos e olhei para o chão. Como uma casa tão grande poderia ter tanta folhas secas no chão? Cheguei a pensar que eu poderia estar num jardim de inverno que poderia estar sujo.  A policial olhava para mim com um aspecto curioso. Curiosamente perturbador  Eu estava começando a ficar de saco cheio, estava quase mandando essas coisas para a Pvt@ que p@r&0. A mulher que carregava algo no colo começou a andar de um lado para o outro. Seu olhar era fixo no ser que ela carregava.  'Por que você está aqui?', a policial disse. Eu não sabia como responder. 'eu entrei pela porta.'. A mulher com o pacote no colo deixou  o pano descer. Ela estava com uma criança no colo. Era uma linda criança. O telhado estalou. Um grito se escutou. A mulher berrou. A policial pegou o revólver e apontou para mim. 'continue olhando para mim que darei razões para que nunca mais veja nada, nada.'. Gente esquisita, eu imaginei. Senti o meu corpo amolecer. 'onde estamos?', perguntei. 'no pesadelo', a mulher disse. 'O que você faz com essa criança no colo aqui?', perguntei, e o sono batendo mais forte em mim. Dei um passo em direção a ela. Ela me olhou com um certo despreparo. Dei mais outro. 'afinal, onde estamos?', perguntei com mais veemência  Nenhuma das duas falou algo. Dei mais um passo, a mulher da criança pegou o lenço no chão e começou a correr. Ela apertou o rosto da criança na hora em que iria colocar o lenço. Algo diferente aconteceu. Das bochechas saíram duas bolinhas, duas sementes. Os olhos da criança, era de um delicado azul esverdeado, ficou esbugalhado, sem movimento, sem vida. Era terrível isso. O choro da criança num adulto era inglorioso. Ela estava morta.

domingo, 22 de julho de 2012

Cheiro de flores


Acordei disposta hoje... O dia estava radiante. Sábado chegou com toda a polpa! Fui até a janela... Meu jardim era fresco.  Não tinha flores. As mangueiras traziam uma sombra agradável... O cheiro subiu... Cheiro delicado... Cheiro doce... Cheiro bom... Seria um perfume? Sai do quarto... Não ouvi nenhum barulho... Estavam todos dormindo... De quem seria esse cheiro?
O dia foi passando, o cheiro do almoço substituiu o cheiro do café forte... O cheiro era cada vez mais forte... Uma agonia começou a surtir no meu peito. Uma tristeza subiu em meu ser... Senti vontade de chorar o dia todo... Era um cheiro perturbador para uma pessoa como eu. Uma pessoa que passava muito tempo sem sentir o cheiro das coisas. Eu tinha sentido isso uma vez, quando eu fui a um enterro... Algumas lágrimas caíram do meu olho direito... Um silêncio silencioso, ocioso, apareceu... Era aterrorizante... Todos estavam próximos a mim. Mas o cheiro ia crescendo cada vez mais... Peguei perfumes diversos e coloquei a minha volta pra poder dissipar o cheiro... Os perfumes não chegavam nem perto... Meu coração começou a palpitar rápido, minhas mãos começaram a soar frio, comecei a ficar tonta... De repente não vejo, não ouço, não sinto nada...
Acordei num quarto branco, com luzes em todos os lugares. Teto branco. Chão branco. Cortinas brancas. E um cheiro enorme de flores. Cheiro sufocante. Tentei me levantar, mas não possuía forças para isso...  Eu estava presa por cordas invisíveis? Só poderia ser. Estava frio. Estava começando a ficar com medo... Eu estava verdadeiramente ficando com medo. Medo. Não havia ninguém próximo a mim. Eu estava só. Fechei os olhos... Eu tinha que me lembrar de alguma coisa... Eu tinha que fazer algo... Eu iria enlouquecer se continuasse parada ali. Tinha que me distrair com alguma coisa. Pensei em minha avó. Pensei na minha mãe. Pensei em Inna, Myla, Lih, Nuno, Peh. Pensei na Bethy. Pensei nas lembranças mais felizes. Nas mais dolorosas. Criei uma série de perguntas sobre eles e comecei a responder. Quando eu já não tinha mais o que pensar sobre eles, lembrei das pontes de Recife. Pensei em Juanes. Pensei e repensei em todas minhas irmãs e no meu Irmão. Lembrei-me que eu tinha um relatório a entregar em duas semanas...
O cheiro de rosas novamente... Pensei em Deus. Seria um aviso isso? Eu não estava entendendo... Seria a morte de alguém? Seria... O que seria? Minha cabeça não suportava a ideia da morte. Acreditava que a morte viria na hora certa. Mas... Não gostava do fim das coisas. Ao menos nesse plano terrestre.
Tempo depois, não sei dizer quanto tempo levou... Talvez uns cinco segundos, uma hora, doze dias... Cai num sono tão profundo... Tão profundo que nem ousei insistir para acordar... Já não sentia nada em relação ao meu corpo. Já não sentia o tempo. Eu estava presa naquela cama... Seria uma cama? Não sei. Em absoluto em não sei onde eu me encontrava.
Senti uma brisa marinha nos meus cabelos... Senti o cheiro do mar... O dia está tão lindo... O sol ao fundo, o céu num azul mais delicado que eu conhecia... Com parcas nuvens... O tempo... Que tempo? Dias como o que eu estava vivendo, ali na praia, era imensurável... Imedível. A minha volta se encontravam pessoas... Pessoas que a muito tempo eu não via... Estavam rindo... Estavam felizes... As crianças... Minha família em peso se encontrava ali... Era lindo. Era perfeito. Estavam ali pessoas que nem se falavam mais... Estava uma paz que há muito tempo eu não encontrava... Ninguém se preocupava com contas, ninguém tinha em mente as confusões diárias que passavam na TV, não tinham medo de nada... Estavam... Verdadeiramente... Tranquilos. Engraçado... Eu não sabia o que estava acontecendo comigo... Só sabia que por alguns instantes o cheiro das flores não me incomodavam mais... Nada do pensamento do medo de achar que não iria conseguir alcançar meus objetivos... Olhei o céu... Quem iria se importar se iria chover? Que ficaria tarde para voltar para casa? Eu estava em paz... Numa paz tão boa... Tão tranqüila... Verdadeiramente alegre.
Estava de volta aquela sala branca... Estava só novamente... Quando isso iria parar? Estava tão bem... Eu queria ter continuado naquele lindo lugar. Parecia que eu estava em Fronteira. Fronteira era uma ilha entre o oceano Pacífico e o Atlântico... Os dias eram belos e as noites tortuosas... Fiquei com medo quando visitei essa ilha... Pensei que seria ótimo... Eu iria aprofundar, por duas semanas, meus estudos em Oceanografia. Nunca mais iria aparecer naquele lugar... Nunca.
Algo gelado toca em meus lábios... Algo duro é colocado em minhas mãos. Alguma coisa aperta meu pescoço. O cheiro de flores novamente atormenta meu ser... Eu já não sabia se me encontrava viva ou morta... Só desejava que esse cheiro sumisse. Findasse...
 Um arrepio veio e levou de vez o cheiro... Meus olhos se abriram.


sexta-feira, 18 de junho de 2010