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sábado, 5 de julho de 2014

Páginas de um silêncio - Pesadelo

Tudo calmo, era noite, na minha rua de infância. 
Um homem bem apessoado sai do prédio ao lado de minha casa, o que para mim não pareceu nada estranho, uma vez que parecia um bar algo que era uma escola abandonada. Ele olhou pra mim e sorriu. Ele não falava português, e, ao que parecia, eu não sabia nem em qual ele falava. Chegou e falou algo. Um amiga meu, que parecia ter entendido o que ele tinha dito, o ignorou. O cara falou outra vez, agora com uma voz mais rouca, mais ameaçadora, mais amedrontadora. Meu amigo apenas disse pra ele não falar mais comigo, mais com a gente. Ele olhou e parecia claramente que ter uma briga. 
Ele se virou e entrou no carro. Com medo, eu peguei e tentei tirar uma foto ou gravar, sendo que o carro foi rápido e o aparelho em que eu usava deu problema.  
Quando o carro saiu, a polícia estava chegando. Assim meu amigo foi com eles, pelo o que entendi, eles estavam a procura do cara que havia falado de uma maneira agressiva com a gente. 
Algo fez um barulho de gente correndo, uma amiga que estava do meu lado correu pra perto, e eu tentei entrar em casa, mas o barulho cessou. Pegamos umas coisas que estavam na frente de caso, bobagens que a gente tinha trazido.  
Entrei em casa quando vi o movimento diferente. Gritos foram ouvidos, como se alguém tivesse matando a sangue frio. Aqueles gritos me apavoraram, minha vó dormia no quarto, e eu não tinha pra onde ir.  
Eu estava com minha irmã em casa também. Os gritos parecia que vinha do prédio ao lado. E eu fiquei cada vez amedrontada. Os gritos aumentavam. Os gritos não era de socorro, mas sim de medo e de dor. Como se não sobrasse tempo de pedir ajuda, mas de apenas liberar o que estava sentindo. Eram gritos, eram gritos. Eu nunca tinha ouvido algo parecido.  

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Pesadelo: Faculdade


            Numa mistura de alpinismo local na faculdade... Eu tinha que chegar até a sala por um caminho nada tradicional. Como alguém poderia achar bom o lance de subir pelas paredes, andar em algo cuja função era a proteção do sol, numa estrutura tão simples, mas que se assemelhava ao protetor que as vendinhas colocavam na parede a fim de se esconder do sol? Além disso, eu deveria ser capaz de subir em algo que iria me deixar em um terceiro andar não existente na faculdade. Como se eu quisesse me esconder ou algo parecido, desci por aquele caminho. Algo começou a me perseguir. Começava a ficar com medo... Com medo? Não tinha razão pra isso. Mesmo assim, desci, quase caindo, do andar não existente. Vi um grupo de alunos se aproximando de mim. Era fim de tarde. Desci até a proteção e comecei a andar. Ninguém havia me visto. Comecei a pensar que havia sido uma bobagem em ter decidido ir por esse caminho. Algo moveu. Atrás de mim? Ninguém, absolutamente ninguém, conhecia este lugar. O espaço era curto, só dava pra caminhar ingatiando. Sai. Um homem alto, meio magro, meio forte, com uma camisa enegrecida, cabelos curtos, de tom alourado, estava com o olhar fixo em mim.
            Ele era estranho. Continuei a andar. Ele me acompanhava. Acelerei os meus passos, ele fez o mesmo. O toque do salto do sapato social dele era forte, ecoava no corredor. Numa tentativa frustada, corri. Eu queria não ter a consciência de ter percebido a ação que ele fez. Em alguns segundos ele tinha me alcançado, num dos corredores de esquina da faculdade. 'Mil vezes merd@' poderia ser ouvido de longe, se alguém escutasse os meus pensamentos. Qualquer um ouviria. Eu estava apavorada. Ele me pegou e me olhou penetrantemente, nos meus olhos. Ele possuía olhos azul, de um tom levemente louco. Estava eu em maus lençóis? Tipo, nos dois sentidos? Me encostou na parede fria, seu rosto chegou perto do meu, pouco mais de alguns centímetros dos meus lábios. O cheiro dele era adocicado, o terno que ele usava, era de uma aparência cara. O que estaria acontecendo?
            Se aproximou, devagar. Seus olhos não saíam da linha dos meus olhos. Comecei a ficar imprecisa no que fazer. Como uma faculdade tão grande como a minha, estaria vazia, ainda mais no turno mais agitado? O beijo foi gelado, de uma aproximação nojenta. Forçada. O que tinha em mente ele? Estava sentindo repulsa dele. Algo fez barulho no final do corredor. Ele se afastou um pouco. Na tentativa dele ver o que era, eu corri. Ele me seguia novamente. Eu estava ficando cansada disso.
            Cheguei, finalmente, no elevador. Cruzei os dedos pra ele não conseguir chegar. Porta fechada, começo a descer. Um pensamento começou a me perturbar: ele desceria? Sai. Andei. Eu tinha entrado num dos corredores, apesar de 4 anos estudando ali, nunca tinha visitado aquele. Tentei todas portas em que eu encontrava. Haviam sido lacradas. Um maldito vento frio entrou cantando de algum lugar no corredor. Tinha algum lugar com alguma janela aberta. Eu sabia que tinha. Mas onde? Comecei a escutar um 'tic-tac'. Inferno! Mil vezes droga! Eu não estava tendo o meu melhor dia. Uma porta me chamou atenção. Ela era de vidro. Não só a porta, mas todas as paredes ao redor tinha a mesma característica. Metade parede, outra um vidro muito forte. Ouvi um barulho no corredor. Só poderia ser ele. Me lasqueei. Não pensei outra vez, tentei abrir. Consegui. Algo fez barulho. Não me importei com qualquer outra coisa. Eu estava apavorada.  Eu não tinha ideia do que aquele homem iria fazer comigo, mas sabia que eu não iria gostar do que ele ira fazer. Um papel vermelho estava no chão, havia algo escrito nele... Mas eu não sabia ler... Não estava escrito em Português... Levantei o meu olhar e vi que ali tinha uma casa, uma casa cheia de árvores. Estava acinzentada.  O céu estava nublado. Estranho. Não sabia que tinha um anexo aberto dentro do campus. Comecei a andar. Na frente tinha a aparência de loja, cheia de manequins com roupa. Tinha folha seca em todos os lugares e possuía um silêncio sepulcral. Folhas foram amaçadas. Meus olhos viraram devagar para a o lugar que deveria ter sido o sujeito do som. Vi dois pastores alemães, eles eram enormes. Corri, corri, corri. Eles andavam atrás de mim. Céus... O que foi que eu fiz para merecer tal dia? Pediria mil vezes perdão, mas gostaria que esse tormento findasse. Entrei na casa, esbarrei em alguns objetos, que caíram no chão e se espatilharam. Com ferocidade os cães vinham atrás de mim. Da boca deles eram entoado o canto dos loucos. O canto dos atormentados. O canto dos medrosos. Os cantos amedrontados  Vi duas mulheres no interior da casa. Uma tinha aparência de uma policial, e, a outra, carregava alguma coisa no colo. Olhei para trás e vi que os cachorros haviam parado de perseguir. And now?  Parei. Em pé olhei a minha volta. Respirei fundo diversas vezes. Coloquei as duas mãos nos joelhos e olhei para o chão. Como uma casa tão grande poderia ter tanta folhas secas no chão? Cheguei a pensar que eu poderia estar num jardim de inverno que poderia estar sujo.  A policial olhava para mim com um aspecto curioso. Curiosamente perturbador  Eu estava começando a ficar de saco cheio, estava quase mandando essas coisas para a Pvt@ que p@r&0. A mulher que carregava algo no colo começou a andar de um lado para o outro. Seu olhar era fixo no ser que ela carregava.  'Por que você está aqui?', a policial disse. Eu não sabia como responder. 'eu entrei pela porta.'. A mulher com o pacote no colo deixou  o pano descer. Ela estava com uma criança no colo. Era uma linda criança. O telhado estalou. Um grito se escutou. A mulher berrou. A policial pegou o revólver e apontou para mim. 'continue olhando para mim que darei razões para que nunca mais veja nada, nada.'. Gente esquisita, eu imaginei. Senti o meu corpo amolecer. 'onde estamos?', perguntei. 'no pesadelo', a mulher disse. 'O que você faz com essa criança no colo aqui?', perguntei, e o sono batendo mais forte em mim. Dei um passo em direção a ela. Ela me olhou com um certo despreparo. Dei mais outro. 'afinal, onde estamos?', perguntei com mais veemência  Nenhuma das duas falou algo. Dei mais um passo, a mulher da criança pegou o lenço no chão e começou a correr. Ela apertou o rosto da criança na hora em que iria colocar o lenço. Algo diferente aconteceu. Das bochechas saíram duas bolinhas, duas sementes. Os olhos da criança, era de um delicado azul esverdeado, ficou esbugalhado, sem movimento, sem vida. Era terrível isso. O choro da criança num adulto era inglorioso. Ela estava morta.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Meu mundo onírico: Sam, Edilma e Daniel

        Estava com ela e com ele. Éramos três:  eu, você e Daniel. Estávamos saindo. Boa ideia a sua, não? Ir à praia.  Ela havia nos convidado pra ir a um passeio lindo! Por que não aceitar? Agora... Saímos os três, com apenas a roupa de banho. Eu não havia estranhado o fato de estarmos saindo à noite. Ela pegou um objeto redondo, de cor vermelha, e pediu que segurássemos aquele objeto. Eu olhei para Daniel e percebi que ele estava com uma cara de quem não estava entendendo o que estava acontecendo. Pegamos.  Um buraco se abriu no chão. O objeto redondo foi atraído e, por consequência, nos levou junto. Ele nos levou a um caminho estreito e escuro, mal conseguíamos ver a nós mesmo. Não sentia arranhões, como se flutuássemos levemente, o suficiente para não tocar no chão. Ela estava séria e relaxada. Teria, ela, o costume de fazer isso todos os dias? Com o tempo fui me acostumando. Era mais rápido do que viajar na superfície. Não tinha engarrafamento, não tinha sinal. Estava tranquilo. Tranquilo de mais. Começamos a passar por um corredor de uma altura maior e cheio de portas. Lembrei-me dos esgotos que tinha lido em Os Miseráveis, lembrava muito. Ratos enormes começaram a aparecer. Antes mesmo que eu pudesse cogitar em ficar apavorada, surgiram morcegos, baratas. Isso começou a me deixar enojada e terrivelmente assustada. Eu sabia que aquele território era deles, mesmo assim, desejei que eles estivessem em outro canto. “Tudo bem. Vai ficar tudo bem.” Eu repetia direto isso. “é só ter calma. Breve chegaremos.” Que breve é esse que não chegava? Olhei para os lados... Daniel estava dormindo. Dormindo? Como isso poderia ser possível? Para alguém dormir tem que está tranquilo e, pelo amor de Deus, quem estaria tranquilo numa situação em que nos encontrávamos? Até viúvas-negras tinha lá. Eu disse viúva-negra! Uma espécie de aranha que devora o parceiro depois dele terem feito o serviço de ‘colocar os ovinhos nela’. Se ela era capaz de fazer isso com o próprio parceiro, e o quiçá ela iria fazer comigo?  Próxima vez eu iria repensar se eu iria usar os veículos não convencionais. Ser ‘arrastado’ no caminho subterrâneo não era o melhor meio que eu já tinha usado.  Não sei se a ideia de está escuro era tão agradável agora, uma vez que poderia ter cobras lá e eu nem ter percebido isso. Depois de um tempo, conseguimos chegar a superfície. Entramos num supermercado pra comprar coisas...

domingo, 8 de abril de 2012

Pesadelo: Só

Corria...
Corria...
Estava tudo embaraçado... Uma confusão de cores... Minha respiração estava acelerando... Estava tudo escuro... Frio... Muito frio... Parei... Não havia ninguém próximo a mim... A rua estava deserta... Estava estranho... Muito estranho...
Minha casa estava ali, bem próxima... Entrei em casa... Estranho... Muito estranho... Estava aberta... Eu sempre fechava a porta quando saía... Escuro... Uma coruja piou ao longe... Eu estava sozinha em casa... Onde estavam todos? Escuro... Tudo escuro... Cadê o povo da minha casa? Eu não suportava ficar só em casa... A casa ficava fria... 
Cada barulho era uma sentença para um novo susto... 
Estava ficando surtada? Não poderia estar... 
Na sala... 
Iria dormir na sala... 
No meu quarto... Se eu dormisse lá... E se alguém chegasse... E se esse alguém desejasse... Eu estaria indefesa no meu quarto... 
Eu não poderia ficar só no quarto...
Na sala... 
Seria na sala... 
Só na sala... 
Estava na sala... 
Estava muito frio... 
Não conseguia dormir... 
Só na sala... 
Ninguém iria aparecer? 
Onde estavam todos?
Levantei-me... 
Tinha algo estranho no quintal... 
Ali... 
Perto das plantas... 
Em cima do murinho... 
Aquilo era um rosto? 
Não... Não era... 
Estava muito pequeno... 
Do tamanho de minha mão. Aproximei-me... 
Por qual motivo iria fazer isso? Simplesmente eu poderia voltar para cama... 
Poderia... 
Mas... 
Dormiria? 
Não. 
Cheguei perto... 
Aquele pequeno corpo estranho se movimentou... 
Aqueles olhos não encontravam os meus... 
O rosto era bem pálido... 
Céus! O rosto lembrava a de um palhaço... 
Medo... 
Muito medo... 
Uma figura estranha na minha casa... 
E eu estava só... 
Muito só... 
Ele girou a cabeça assustadoramente... Medo... Muito medo... Ninguém aparecia pra me ajudar... Ninguém... Absolutamente ninguém... Aquele ser começava a pular... Não em cima de mim... Nem em minha direção... Estava tentando fugir pelo prédio vizinho a minha casa... A escola abandonada... 
Céus...
Como o último instrumento... 
Tentei gritar... 
Minha voz não saia... 
Por mais esforço que eu fazia... 
Ela não saia... 
Simplesmente não saía... Desapareceu...
...
Acordei no meu quarto... Eram pouco mais de uma hora da manhã...