terça-feira, 31 de julho de 2012

Banho


                 Dia quente... Estava muito quente... Entrar no banheiro seria uma ótima ideia... A água fria tocou primeiramente nos meus cabelos... Desceu lentamente pela curva do pescoço... Por sobre a minha face lavou-me os olhos... Como uma carícia delicada desceu por entre meus seios... Estava quente agora... Apesar do leve arrepio que me deu... Ao chegar à altura no umbigo, fez alguns contornos, que acompanhava cegamente o desenho do meu corpo... Minha mão desceu um pouco com o sabonete... Roboticamente fiz os mesmos movimentos... Com as mãos espalmadas... Começando na cintura, subindo e descendo... No meu pescoço, na nuca, num braço... Na mão... Desci o corpo, só da cintura para cima, para alcançar meus pés...  Minha panturrilha... Até conseguir finalmente ficar ereta... Era gostoso sentir aquela espuma sobre o meu corpo... Era deliciosa a sensação de ter algo me massageando... Levemente a água recomeçou a passar novamente por mim.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Fluxo da consciência: expondo e expelindo


Aqui, ali,
Não importa...
Estou com pensamento nele... há alguma diferença? Nenhuma. Ele simplesmente chega pra mim e diz que eu estraguei tudo... Que tudo? As mensagens via face? Minhas mensagens via sms? Tudo isso pelo simples desejo... sei lá do que. Diz que teme em falar comigo, que me aborrece. Sabe o que é estranho?
É saber que passei tanto tempo,
Que pensei de varias formas para deixar claro o que eu sentia por ele
Por tentar fazer... sei lá
Ele realmente me magoa.
Sabe qual é o motivo?
É que sinto que todas as vezes ele arranja um motivo para não me encontrar. Sinto-me como uma estranha na vida dele... fico chateada com isso.
Isso percorre cada veia do meu ser... ele não entende?  Tipo... verdadeiramente?
Já cheguei a pensar que estávamos ‘quase’. Eu não quero um quase.
Ele me deixa insegura.
Ele é um chato, um... um... um garoto crescido. Um cara que mexe comigo, de uma maneira estranha. Do que adianta? Tenho a foto dele no meu cel, tenho meio mundo de fantasias com ele... eu vou dizer a ele? Não vai adiantar mesmo...
Ele poderia ser diferente, menos lindo, menos idiota, menos gentil, menos grosso, menos... ele poderia ser outra pessoa, com um outro nome, nascido até em outro planeta.
Ele poderia... minha mente não sabe o que ou como defini-lo... há umas mutações no meu pensar, tudo gira em torno dele... respira... por qual motivo ele complica tanto? Há uma maneira simples de dizer ‘eu te amo’ ou ‘eu não sinto nada por você’. Preciso me libertar desse sentimento que pulsa no meu ser, fica cada vez mais denso, a cada vez que vejo uma foto, ou quando escuto a voz dele... isso é dolorido demais...
Como ele consegue me deixar assim? Ele não ta nem ai. Eu deveria ter escutado o que os outros disseram... mas eu acredito ainda nele. Não sei se está errado, mas... é o meu primeiro amor.
Sabe uma coisa? Ele desperta em mim, em um espaço tão pequeno,  diversas emoções. Das poucos agradáveis às brilhantes.

Bobos


Ele ali, ela aqui.
Ela olhou. Ele comentou.
Eles se falaram. Hoje não mais.
Ela o ama. Ele, uma possibilidade.
Se eu inverter os papéis, há alguma diferença?
Dois jovens. Dois mundos.
Ele é um garoto das noites. Ela faz faculdade.
Complicado?
São jovens. Apenas jovens.
Desculpas. Perdão. Amor. Ignorância.
Palavras jogadas ao vento. Palavras escritas. Significados interpretado de maneiras estranhas.
O que são eles?
Dois jovens, a beira de uma vida...
Complicado.
Alguém dá para parar de tocar essa música? É agitada demais... É lenta demais... É, em absoluto, estranha.
Complicado...
Ela diz:
Ele diz:
E no nada continuam...
Bobos.

domingo, 22 de julho de 2012

Cheiro de flores


Acordei disposta hoje... O dia estava radiante. Sábado chegou com toda a polpa! Fui até a janela... Meu jardim era fresco.  Não tinha flores. As mangueiras traziam uma sombra agradável... O cheiro subiu... Cheiro delicado... Cheiro doce... Cheiro bom... Seria um perfume? Sai do quarto... Não ouvi nenhum barulho... Estavam todos dormindo... De quem seria esse cheiro?
O dia foi passando, o cheiro do almoço substituiu o cheiro do café forte... O cheiro era cada vez mais forte... Uma agonia começou a surtir no meu peito. Uma tristeza subiu em meu ser... Senti vontade de chorar o dia todo... Era um cheiro perturbador para uma pessoa como eu. Uma pessoa que passava muito tempo sem sentir o cheiro das coisas. Eu tinha sentido isso uma vez, quando eu fui a um enterro... Algumas lágrimas caíram do meu olho direito... Um silêncio silencioso, ocioso, apareceu... Era aterrorizante... Todos estavam próximos a mim. Mas o cheiro ia crescendo cada vez mais... Peguei perfumes diversos e coloquei a minha volta pra poder dissipar o cheiro... Os perfumes não chegavam nem perto... Meu coração começou a palpitar rápido, minhas mãos começaram a soar frio, comecei a ficar tonta... De repente não vejo, não ouço, não sinto nada...
Acordei num quarto branco, com luzes em todos os lugares. Teto branco. Chão branco. Cortinas brancas. E um cheiro enorme de flores. Cheiro sufocante. Tentei me levantar, mas não possuía forças para isso...  Eu estava presa por cordas invisíveis? Só poderia ser. Estava frio. Estava começando a ficar com medo... Eu estava verdadeiramente ficando com medo. Medo. Não havia ninguém próximo a mim. Eu estava só. Fechei os olhos... Eu tinha que me lembrar de alguma coisa... Eu tinha que fazer algo... Eu iria enlouquecer se continuasse parada ali. Tinha que me distrair com alguma coisa. Pensei em minha avó. Pensei na minha mãe. Pensei em Inna, Myla, Lih, Nuno, Peh. Pensei na Bethy. Pensei nas lembranças mais felizes. Nas mais dolorosas. Criei uma série de perguntas sobre eles e comecei a responder. Quando eu já não tinha mais o que pensar sobre eles, lembrei das pontes de Recife. Pensei em Juanes. Pensei e repensei em todas minhas irmãs e no meu Irmão. Lembrei-me que eu tinha um relatório a entregar em duas semanas...
O cheiro de rosas novamente... Pensei em Deus. Seria um aviso isso? Eu não estava entendendo... Seria a morte de alguém? Seria... O que seria? Minha cabeça não suportava a ideia da morte. Acreditava que a morte viria na hora certa. Mas... Não gostava do fim das coisas. Ao menos nesse plano terrestre.
Tempo depois, não sei dizer quanto tempo levou... Talvez uns cinco segundos, uma hora, doze dias... Cai num sono tão profundo... Tão profundo que nem ousei insistir para acordar... Já não sentia nada em relação ao meu corpo. Já não sentia o tempo. Eu estava presa naquela cama... Seria uma cama? Não sei. Em absoluto em não sei onde eu me encontrava.
Senti uma brisa marinha nos meus cabelos... Senti o cheiro do mar... O dia está tão lindo... O sol ao fundo, o céu num azul mais delicado que eu conhecia... Com parcas nuvens... O tempo... Que tempo? Dias como o que eu estava vivendo, ali na praia, era imensurável... Imedível. A minha volta se encontravam pessoas... Pessoas que a muito tempo eu não via... Estavam rindo... Estavam felizes... As crianças... Minha família em peso se encontrava ali... Era lindo. Era perfeito. Estavam ali pessoas que nem se falavam mais... Estava uma paz que há muito tempo eu não encontrava... Ninguém se preocupava com contas, ninguém tinha em mente as confusões diárias que passavam na TV, não tinham medo de nada... Estavam... Verdadeiramente... Tranquilos. Engraçado... Eu não sabia o que estava acontecendo comigo... Só sabia que por alguns instantes o cheiro das flores não me incomodavam mais... Nada do pensamento do medo de achar que não iria conseguir alcançar meus objetivos... Olhei o céu... Quem iria se importar se iria chover? Que ficaria tarde para voltar para casa? Eu estava em paz... Numa paz tão boa... Tão tranqüila... Verdadeiramente alegre.
Estava de volta aquela sala branca... Estava só novamente... Quando isso iria parar? Estava tão bem... Eu queria ter continuado naquele lindo lugar. Parecia que eu estava em Fronteira. Fronteira era uma ilha entre o oceano Pacífico e o Atlântico... Os dias eram belos e as noites tortuosas... Fiquei com medo quando visitei essa ilha... Pensei que seria ótimo... Eu iria aprofundar, por duas semanas, meus estudos em Oceanografia. Nunca mais iria aparecer naquele lugar... Nunca.
Algo gelado toca em meus lábios... Algo duro é colocado em minhas mãos. Alguma coisa aperta meu pescoço. O cheiro de flores novamente atormenta meu ser... Eu já não sabia se me encontrava viva ou morta... Só desejava que esse cheiro sumisse. Findasse...
 Um arrepio veio e levou de vez o cheiro... Meus olhos se abriram.


sábado, 21 de julho de 2012

Sonho - Ônibus (18-04-2012)


Estava num dia como outro qualquer... Sendo que passava o dia todo pensando nele... Cada vez em que eu me encontrava na parada, ficava reparando em todos os ônibus que passava na casa dele.
Ele não se encontrava em nenhum. No início da noite, umas seis ou sete horas da noite, peguei o bus para ir a minha casa. No meio da viagem, eu já tinha desistido de encontrá-lo. Em uma das paradas ele sobe. “estranho”, eu pensei. No busão, em que eu me encontrava, não poderia ser o destino dele... Eu havia sonhado com ele mais cedo... Eu estava saindo do apartamento de Lih e havia encontrado com o irmão dele. Engraçado...
Mais a frente... Chegamos até a brincar diversas vezes... E agora ele estava bem ali. Bem na minha frente. Eu sabia que era um sonho. Conversamos, fiz massagens na região próxima ao pescoço dele. Ele até me perguntou o porquê de eu ter parado de mandar mensagens para ele. Tentei disfarçar. Por duas vezes o cel dele ligou. A primeira ele atendeu. De segunda, ele ignorou. Olhava para mim, atento, como se esperasse eu dizer algo.
Ele sério, ele rindo... Ele era simplesmente magnífico... Eu andava pelas ruas e, em todas as vezes, tentava ver aquele sorriso encantador, que só ele possuía... Às vezes penso que ele patenteou... Só podia... Só ele conseguia encantar, me fazer ficar vidrada... Era simplesmente... Não sei como, de fato, definir. Acho que meus jovens olhos apaixonados estavam amando... A meu ver, é claro... Tentava ver se aquele garoto que passava por mim poderia ser ele...  Mas nunca era... Minha sorte, às vezes, não conseguia me compreender...
Eu... Eu... Quando percebo, eu estava ali e ele também. Eu sabia que era uma peça que a minha imaginação pregava em mim. Talvez tenha sido por isso que eu aproveitei. Sabe por quê? Entre uma mão e outra, eu chegava mais perto dele e conseguia senti-lo. Percebia que a feição dele acompanhava a cada nova sensação...
Chegou uma hora que ele virou e ficou olhando para mim... Só para mim... Como se ele visse além do físico... Vendo meu verdadeiro ser... Ele me perguntou mais uma vez... Como viu que eu não iria responder, simplesmente disse “Eu tenho perdido todas as noites... Somente isso”

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Se jogas?

Se jogas?
De onde?
Se jogas?
De quê?
Se jogas?
Tas ficando maluca!
Já é tarde...
Já é tarde?
Eh... meu coração tava bem perto de você, mas vc tah deixando ele partir... ele tah voando, ele tah dolorido... ele tah feliz, mas vc pode melhorar um doce...

terça-feira, 17 de julho de 2012

Preliminares

Estava eu aqui, olhando para aquilo. De um jeito estranho tudo aquilo iria entrar em mim. Não sei se teria espaço suficiente. Era tão grande, era enorme. Comecei a pensar nas possíveis probabilidades, provavelmente eu iria me ferrar. Estaria feliz se um terço daquilo ficasse em minha mente. Havia me preparado? Todas as leituras, todos os vídeos... Nada parecia chegar perto daquilo... Se eu estava nervosa? Tanto quanto o frio que acompanha as neves, tanto quanto o sal no mar. Comecei devagar. Comecei pacientemente... Tinha tanto assunto novo neste semestre que eu nem sabia como começar estudar. Aquilo não era fácil, todos aqueles livros eram de tirar a paz de qualquer um.