Quando todos esperavam naquela fria sala com o pequeno televisor ligado com alguma coisa sem qualquer nível para se considerar desperdiçar a atenção.
Eu estava ali no corredor eternamente branco.
As pessoas realmente conseguiam ficar paradas?
Conseguiam conversar como se algo não estivesse acontecendo?
Não percebiam o quanto agoniado ele se encontrava? Cada passo que dava era como se o chão estivesse procurando um motivo só para não ficar estático? E de quem foi à ideia de colocar carinhas amarelas, nos corredores, cuja informação era 'sorria você está sendo filmado'? Quem foi? Aqueles olhos... Pingos pretos assustadores...
As enfermeiras ficavam indo e vindo nada de dizer uma só palavra... Nada. Era tão difícil dizer uma única coisa? Uma informação... Sei lá, qualquer coisa. De repente aquele silêncio ficou quase insuportável.
Calma. Calma... Calma...
Tentava dizer para mim mesmo. Adiantava? Nada. Só arranjava mais e mais motivo para pensar qual era o motivo de pedir tanta calma. O que me fazia ficar cada vez mais inquieto.
Onde estava minha paciência, a final? Tentara tantas vezes escutar música e, simplesmente, não conseguia ouvir nem os primeiros trinta segundos e já trocava. Perdera as contas de quantas vezes havia feito isso.
As pessoas simplesmente pareciam ignorar... Mas por quê? Era por saber que ele estava esquecido num mar repleto de flores espinhosas? Desde quando flores cresciam em água salgada? Desde quando? Céus, o que eu estou pensando? Só queria ter alguns minutos sem pensar... Sem temer por... Quanto tempo isso vai perdurar?
Uma voz feminina gritando o fez sair de meus devaneios.
- por favor! Deixem-me vê-lo! - Cada vez mais forte, agoniado, ela clamava. -Necessito! Por favor! Pelo amor de um ser superior! Alguém... Por favor! Eu não posso ficar assim! Ele... Como ele está? Por favor... - ela apareceu no final do corredor. Se não fossem os olhos vermelhos, marejados de lágrimas, ela poderia ser comparada como um anjo que fora visitar a terra por uma missão celestial. Tinha uma aparência jovial bela, possuía os cabelos ondulados, com um castanho-dourado-claro, de um tom entre castanhos e loiros. De uma altura mediana e um corpo... Um corpo que lembrava muito à sua mulher.
- só me digam que o verei ainda hoje! - e mais lágrimas rolavam pelo rosto dela. Ela estava falando com um dos médicos de plantão. Ele disse algo que a fez sentar prontamente, sem desviar dos olhos dele. Lágrimas e mais lágrimas escorriam pelo rosto delicado dela...
Será que esse alguém que ela tanto fazia questão de ver, morrera? Será que havia... Havia... O médico estava trazendo-a para uma das salas de espera, a que ele estava, e a fizera sentar naqueles solfares enormes. Falara algo e saíra. Vi quando ela olhara para todos os lados lentamente e percebi, com grande espanto e compreensão, que ela sentia o mesmo que eu há alguns míseros minutos atrás.
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