sábado, 9 de fevereiro de 2013

Carnaval

Eu estava de Colombina e ele estava de Pierrot. As músicas que estavam sendo tocadas alegravam até o coração mais amargo do continente. Carnaval. Apesar de ser conhecida como uma festa comemorada com muitas pessoas, e músicas estrondando e muito e muito calor, eu gostava. Mas onde eu estava, era diferente. Era um local pequeno, verdade. Mas não tinha tanta gente assim. Era até engraçado a forma que os adultos se portavam e se vestiam. Havia algumas pessoas com peças coloridas,  laranja, roxo e rosa... Aquelas mulheres ali, eu sabia, eram aparentadas ou eram amigas. Algumas estavam com tiaras coloridas, chapéus com cores fortes e uns papéis de mesmo tom grudados... As crianças jogavam confetes e serpentina coloridas... O frevo estava com a toda... Não era peixe, não era. Era Iemanjá... Morena... Me segura se não eu caio ... E eu estava sentada observando tudo... Nos quatro cantos cheguei... E as músicas frevando com todos ali. Uma leve chuva caía... Se você fosse sincera, Aurora... Recife literalmente para hoje. O povo aclama com todo o seu esplendor... A diversão estava estampada nos rostos... Cara, era carnaval. E eu olhava para o meu Pierrot... Ele conseguiria me ver? Eu estava do outro lado, ao extremo leste e ele no oeste. Ele estava na banda. Eu já tinha dançado, agora estava descansando e olhando-o. Era impossível ficar parado... O ritmo era contagiante demais... Nossos olhares se cruzaram... E tive a impressão que ele havia parado de tocar. Havia ele se desconcentrado quando me viu? Era uma grande possibilidade. Levantei, ainda com os olhos presos ao dele, e fui dançar. Senti os olhos dele sob o meu corpo em movimento, principalmente aos meus passos que estavam ritmados ao ritmo da dança. Vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval... Ele cantara... E vinha em minha direção. Hoje é carnaval.  
  

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Eu

Olhei a figura que eu via no espelho...
Meio pequena, cheia de cachos, castanhos-amendoados...
Um sorriso apareceu em meus lábios... Parecia bonito o que eu via...
Parecia difícil acreditar... Mas era eu. Sou eu.
Eu estava simplesmente encantadora...
Eu estava com cara de que estava... Eu tava feliz.
Feliz!
Só a luz brilhava e iluminava o quarto, mas o meu sorriso era mais era iluminado.
Nada além do meu sorriso.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Encontros

Estava aflita novamente. Custava ligar? É, custava sim. Olhei diversas vezes para o numero na agenda do meu celular. Engraçado era o jeito que eu tinha salvo o numero dele, 'Não Ligar'. As horas se passando e o aperto no meu peito aflorando. Não podia continuar assim... Liguei... 
Algum tempo depois... Na praia...
-aconteceu algo?- ele perguntara.
-podemos caminhar um pouco? só o suficiente para clarear a minha mente. não que ela esteja embaraçada, mas para me dar um tempo para saber passar o que tenho há alguns dias... O que há dias venho planejando dizer a você.
-não seria mais prático você ir direto ao assunto?
- seria sim. - parou de andar, olhou para os lados e viu uma árvore próxima das águas. - vamos para ali, sim?- e foi em direção a ela. O caminho foi curto, levou menos de trinta segundos para os dois estarem ali.
-eu sei que falamos muitas coisas, que havias dito que se houvesse química... As pessoas vivem dizendo que o amor espera, mas nenhuma delas fala como isso pode ser...
-angustiante?-

-difícil. Eu sei que se eu fizer... - ai ela levantou a mão e passou de leve no rosto dele. Ele se assustou e quase deu um passo para trás. Ao perceber a intenção dela, fechou os olhos e apenas sentiu o toque dela - eu sei que... - e seus olhos perceberam que o rosto dele mudou ao toque dela. Sua voz foi ficando mais rouca. - pensei que você não iria sentir nada... Imagina se eu... - e subiu a mão por sobre o peitoral dele, em seguida a mão direita dele segurou a minha mão, aproximando nossos corpos e olhou diretamente nos meus olhos.

-aconteceu alguma coisa, Sam?- ele perguntou. - o que estas fazendo?- ele continuava a olhar meus olhos e a segurar a minha mão. A mão dele estava quente sobre a minha. Percebi que estávamos quase respirando o mesmo ar, e eu tinha certeza que havia uma aceleração no minha respiração. De repente percebi que estava com a mente vazia e que tava me perdendo nos tons de castanhos escuros que a íris dele possuía. Minha mão desceu no rosto dele. Ele olhava tanto para os meus olhos quanto para os meus lábios.

-não temos química nenhuma. Somos apenas amigos. - Eu falei. Eu tentei sair, mas o movimento que eu fiz foi impedido por ele. Por um momento eu não sabia o que fazer. Sentia meu coração pulsar mais rápido. Ele se aproximou devagar do meu rosto. Senti a sua respiração na minha pele. Ele havia fechado os olhos e estava meio centímetro dos meus lábios. Rocei a minha boca na dele, mas invés de beijar, fiz com que minha bochecha encostasse na dele;
-abra os olhos- eu pedi. Vagarosamente, ele abriu os olhos. - não tenho ideia do que se passa em sua mente, apesar de conseguir perceber cada sinal que seu corpo demonstra, deixando claro que você está... Que você está...
- que estou querendo sem querer, sem saber que sabe. Vejo em você uma certa confusão, mas sei que algum lado dessa bagunça pende pro meu lado...
- eu não estou confusa, só não sei o que está acontecendo. Uma hora me diz que... Céus... Isso parecia tao simples.. porque não ser simples... Custava você dizer que está apaixonado por mim? Você reage ao meu toque, você...
-Se fosse, assim, tão simples, nem você nem eu daríamos ouvidos a essa conversa. Acho que somos ambos bagunçados pelo meio... Nem eu daríamos ouvidos a essa conversa. Acho que somos ambos bagunçados pelo meio... Eu reajo ao seu toque, espero ouvir sua respiração de perto, mas me tranco e não te dou certezas porque tenho medo do que você fará com elas. Se eu disser que estou apaixonado, você vem e diz que se foi a química. Prefiro o silêncio e ter o cheiro dos seus cabelos aqui perto. - eu fiquei completamente encantada com que ele havia dito. Ele tinha dito, de certa maneira, que estava apaixonado por mim.
- Eu não preciso de certezas, só preciso saber de você me quer do mesmo modo que eu desejo, e assim eu iria saber que realmente estamos juntos... - levo meu dedo ao seu rosto, e passo uma linha na sua face com ele, indo dos olhos ate chegar aos lábios, sentindo brevemente a maciez com o dedo aproximando meu rosto do seu,  dou um leve beijo.
-Te quero, assim, obliqua e dissimulada, me quero ao seu lado, do jeito que eu fico quando você vem perto. Quero sentir o que estou sentindo agora, quero ser inseguro como quando ao seu lado e forte como quando de um beijo como este.- 
Os olhos se acalentaram mutuamente. O sorriso apareceu nos lábios dela. O vento passou e despenteou os cabelos dela. Ele olhava para ela carinhosamente. Ele olhava-o cheio de ternura...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sem inspiração

Sentei no sofá e não sabia o que escrever... 
Observei Sarah lendo, Gona no pc. 
A televisão estava ligada, a minha avó na cozinha.
Eu sabia que meu tio estava no quarto dele.
Minha mente não tinha nada para escrever no papel.
Eu queria tanto escrever algo...
O cachorro latiu no jardim.
A noite estava de uma temperatura agradável.
Olhei o céu.
Janeiro parecia possuir as mais belas estrelas no céu.
Uma estrela cadente... Fechei os olhos e fiz um pedido.
Voltei ao meu quarto e deitei na minha cama. Eu sou de Touro, ele era de Capricórnio.
O ventilador rodava, rodava e rodava.
Olhei para o meu sapo-bolsa-de-pelúcia que estava na minha cama. Dava para escutar o barulho da tv. Passava a novela.
Levantei e fui tomar um banho.
A água caía como uma massagem pelo meu corpo. Era gostoso sentir o líquido meio morno-gelado tocar em mim. Era maravilhoso.
Estava sem um pingo de inspiração para escrever. Eu estava com uma dor de cabeça chata na minha cabeça.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Hoje o reencontrei.

Hoje o reencontrei.
Não havia lembranças vivas, tão menos regadas de sentimentos.
Ele estava ali, naquela janela daquele ônibus.
Era ele.
Seria difícil não lembrar daqueles cabelos-escuros-lisos.
Seus olhos não pareceram, não se moveram na minha direção, demostrando que ele estava alheio a minha presença.  Olhos azuis ele possuía. Era um contraste com a pele branca e com os olhos, cabelos e sobrancelhas pretas.
Era de se esperar isso.
Eu ia fazer 15 anos quando namoramos por três semanas.
Não sei porque, mas tinha medo de fazer as coisas com ele.
Vasculhando em minha mente, lembrei-me do quanto tímida eu era. Não sei se mudou muita coisa... Mas enfim, era claro a minha completa inexperiência.
Por breve momento o ônibus ficou parado. Olhei e depois segui o meu caminho.
Foi estranho. Na verdade eu só me toquei que estava indiferente a ele.
Não sentia nada.
Hoje o reencontrei

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Conto de uma Suicida

Sentei e olhei para o céu. A princípio me distraí só com os movimentos das nuvens que escondiam a meia lua.
O céu estava repleto de pequenos pontos brilhantes estrelados.
Não sei quanto tempo isso durou, mas acabei mergulhando nos meus pensamentos.
Me sentia como se tivesse deixando a vida passar, como se tivesse desistido de continuar com a vida.
Cai tantas vezes. A impressão que eu estava tendo era que eu não conseguia ficar em pé. Sentia uma constante aperto no meu peito. Eu não sabia o que fazer. 
Descobri que meu grupo não era algo verdeiro, o que me tirou a base das amizades que eu mantia como as contantes e que eu pensava ser eternas. Problemas pessoais foram aumentando. Descobri que a minha variação de humor estava cedendo muito rápido... Não consegui me sentir bem. Não consegui me sentir... Não consegui sentir o silêncio na minha mente. Eu estava atormentada. Me sentia como um peixe fora d'água. Céus!
Tentei de vários modos encontrar o equilíbrio. Tentei me reerguer por diversas maneiras, mas não obtive  nenhum êxito. Perdi a vontade de viver.
Me sentia culpada.
Eu não deveria ter deixado as coisas chegarem a esse limite.
Senti que a solidão recomeçava a surgir em minha mente.
Descobri que era fácil entrar no fundo do poço. Juro que tentei sair.
Abri os olhos e vi como a noite estava escura. Uma dor de cabeça martelou outra vez.
Eu deveria ser mais forte, mais tolerante, mais alegre, mais simpática, mais inteligente...
Quando eu olhava para ela, desejava retirar toda a dor que ela sentia. Quando olhava para as minhas duas irmãs menores, desejava poder inserir na cabeça delas a maturidade que cabia à idade delas. 
Eu sabia que ela precisava de mim. Elas precisavam de mim.
A tristeza que vinha me acompanhando, mais o senso de responsabilidade que recaia sobre os meus ombros, mais minha sensação de inutilidade, mais minha falta de direção... A angústia repassava por tudo... Só havia uma coisa a fazer...
Encontrar alguém para ficar no meu lugar. 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O conto de um cão.

Sou pequeno e de pelos branquinhos. Tenho uma orelha preta e a outra marrom. Tenho mania de morder sapatos e retirar as coisas do lugar. Chegou em casa um bicho estranho. Era carregado por uma pessoa alta, pouco pelo, enrolado num pano macio. Parecia um filhote de humano. Seria que nem eu? Latia como eu lato? Eu andei em volta dele, latindo e balançando o meu rabinho. Afinal, que ser seria aquele?