domingo, 24 de março de 2013

Ariele (Continuar)


O vento zunia assustadoramente... Quando iria começar a chover? Estava claro que iria... O céu possuía um tom acinzentado... Eu não sairia de casa se não fosse tão preciso. O vento, além de gelado, vinha carregado de uma jorrada de areia que, ao tocar na pele, parecia minis alfinetes, saia cortado e arranhando cada pedacinho de pele...

Algo moveu. Algo moveu mesmo? Eu vi um vulto atrás daquela árvore... Eu realmente havia visto um vulto.
Continuei caminhando pela avenida... Caramba... O que eu tinha que fazer por esses lados em pleno domingo? Um só ser vivo não encontrava. Era chato... Estava desconfortante caminhar por ali. A ideia vinha e ia... Maldita ligação. Por qual motivo tinham que ligar pra mim, justamente pra mim, para pedir uma ajuda? Justamente naquelas bandas... Fazia séculos que eu não pegava este caminho...

O vento, de tão forte que veio, levou o meu chapéu, meu pequeno e nobre chapéu. E era rápido... Muito rápido... Tive que correr pra tentar pegá-lo... Parecia até um jogo... Daquele do tipo "pegue se puder".

Cai, levantei... E o danado do chapéu corria... Corria... Corria...
Quando finalmente para. Parou em frente de um jardim. Um jardim escuro... Estranho! Quem iria cultivar rosas arroxeadas no meio de flores amarelas? Tinha um formado esquisito, principalmente levando em consideração os tons daquela casa. Azul fosco com colunas douradas e havia algo escrito, em cima da porta de entrada... Num tom rosa delicado claro... 

Meu chapéu pulou e seguiu até o portal de entrada daquela imensa casa estranha. Por coincidência o meu chapéu era de um tom claro de rosa.
Um instrumento de corda começou a ser tocado. O som era, talvez, daquele instrumento que tem com apoio o ombro, que é tocado com alguma espécie de madeira e palha... Talvez o nome seja... Violino! Tocou Fascinação... E aquela linda música do arco-íris e algumas outras que eu não soube nomear.
De repente, um sono tranquilo foi dominando o meu ser... Havia uma mangueira, cuja sombra era tão convidativa para uma bela soneca quanto aquele som era tranquilizador... Será que alguém iria se incomodar por alguém descansando em baixo daquela bela árvore no cantinho, meio escondidinho, do jardim?
E o sono começou a me deixar menos desperta... Sentei...
Ao acordar eu não mais me encontrava embaixo daquela doce e acolhedora mangueira. Estava numa cama espaçosa e macia, num quarto completamente rosa. Muito rosa, até demais. Será que alguém realmente gostava daquele quarto do jeito que se encontrava? Exagerado... 

Sai do quarto. Pelo que eu percebi acabava de entrar num corredor longo e cheio de portas. Cada porta tinha um nome. O nome do quarto em que estava a cinco minutos atrás  era o Quĩntus Decimus. A direita continuava com Sextus Decimus e continuava a crescer. Se havia uma saída, é claro que havia, tinha que haver... Era do lado oposto. A cada numeração, havia um logotipo que acompanhava a numeração. A do quarto rosa era um coelho branco, com um grande laço rosa. O corredor estava escuro e não dava pra ver mais coisas. Mas aqueles olhos, daquele fofo coelho, eram simplesmente assustadores, como se eles desejassem mais do que ele já possuía. Era intrigante. Como uma figura tão delicada, que o coelho é, poderia ser tão... Tão... Tão... Assustadora? Eu teria, com certeza, pesadelo se dormisse naquele quarto. A porta do Tertĩus Decimus tinha um girassol e alguma outra coisa. Estava escuro demais. Que horas seria, a final? 

Um barulho de algo quebrando, fez o silêncio do corredor sumir assim como me fez um susto. Eu estava numa casa estranha, escura e... E... E sozinha. Corri. Corri sem pensar. A adrenalina subiu na minha cabeça e se espalhou pelo meu corpo mais rápido do que um piscar de olhos. Não reparei, era só o que faltava!, que o corredor entrava numa curva fechada. O corredor estava escuro demais. Bati com o corpo todo com a porta. A porta se abriu. Cai.  Era de um tom delicado de azul claro, com pequenos detalhes roxos, ao menos assim era o piso. Quando levantei meu olhar, vi que na porta havia escrito Septimus, e uma espécie de anunciador de vento com pássaros roxos. Era simplesmente... Magnífico. O quarto estava escuro, terrivelmente escuro. Eu não conseguia ver mais nada, absolutamente nada.

Uma sineta, ao que parecia, tocou em algum lugar próximo e, no mesmo instante, as luzes foram acendendo no corredor, assim como o quarto.

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