Meu celular vibrou. Mensagem.
Parei o carro. E agora? Respirei ozentas vezes para tentar me acalmar. Acalmar? Acalmar coisa nenhuma! Eu queria gritar. Eu sabia que ela tava estranha ultimamente, mas me trair? Isso seria... Fui ao endereço que ela estava. Que se exploda os bolinhos. Acelerei o máximo que era permitido. Caramba!
Eu estava no carro e o trânsito estava livre. Tinha um pouco de pressa,
verdade. Seja lá quem for, poderia esperar alguns minutos. Outra vez meu
celular vibrou. Teria alguém pressa em falar comigo? Provavelmente seria uma
daquelas insistentes mensagens de operadora, promoções que prometiam tudo. Só
faltava saber se eles iriam oferecer tíquetes de gasolina. Eu ia chegar
mais cedo. Eu tinha que fazer isso. Maldita curiosidade. Que coisa! Aquelas
mensagens no celular de minha amada não poderia significar grandes coisas.
Céus! Tentei de tudo, li todos os processos que estavam tramitando pelo meu
setor. Trabalhei o que doze homens, do meu setor, trabalhavam em dois meses. Eu
estava começando a ficar perturbado. Falei a mim mesmo o dia todo
"...Roberto, não é nada.", "...Roberto, isso deve ser alguma
brincadeira da Letícia, a irmã gêmea de minha futura noiva.". Não poderia ser.
Céus!
Que inferno!
Eu não acreditava.
EU NÃO ACREDITAVA!
Calma!
Só calma!
Não seria absolutamente nada.
Não poderia.
Ela iria ter mesmo coragem de fazer isso comigo?
Caramba! Estávamos juntos a quase quatro anos!
Não era justo!
NÃO ERA JUSTO!
Calma!
Roberto Campos Junior!
Sua futura esposa era encantadora. Linda. Qualquer um iria querer...
Mas não tinha o direito!
O corpo dela era campo livre para as minhas carícias, mas não de outro
homem!
Não é posse... Ela não era objeto...
Céus! Ok... Entendi... Eu não entendi coisa nenhuma!
Eram apenas mensagens.
Parei o carro. Eram dela.
"vou me atrasar hoje querido. Te encontro mais tarde! Te amo".
Um sorriso surgiu em meus lábios. Era verdade, ela me amava. Seria
ingenuidade minha pensar isso? Só Deus sabia o que acometia, o que os meus
sentidos provocavam, em mim. Ela era a mulher da minha vida. O anel de
casamento, que comprei para ela, estava pendendo em meu bolso há semanas.
"Compra aqueles bolinhos da padaria Bela? Sei lá, vontade!"
Ela sempre gostava daqueles bolinhos... Seria uma vontade grande?
A padaria era do outro lado da cidade. Valeria à pena. Levaria algumas rosas
também. Isso seria suficiente para... Ui! Seria... E era isso mesmo que eu vou
fazer... Desviei o meu caminho e peguei a estrada que levava a padaria...
Seria vontade mesmo? Ou seria... Seria desejo? Não poderia ser... Nós
não... Não ainda... Seria do outro? Céus! Mil vezes droga. Parei o carro. E
agora?
Isso não poderia acontecer.
Teria ela mesma o desejo disso? Ou seria uma desculpa para que ele
demorasse mais tempo para chegar à casa dela? Outra mensagem chega.
"Estou indo ao centro. Vou ver algo naquela loja que fomos da
última vez. Bjs. Te amo!"
Acelerei ainda mais.
Ela não poderia fazer isso comigo. Acelerei ainda mais. Levei cerca de 15 minutos para chegar num lugar que demorava 45 min para chegar. Que exploda-se a multa que eu tinha levado. Sai do carro. Bati a porta com tanta força pra tentar colocar para fora a adrenalina que estava sentindo. Avistei. Não era difícil encontrá-la. Coração acelerou. Queria mesmo eu saber se ela me traía mesmo? Ela estava ali, linda. Encantadora. Céus! O que há com a minha cabeça?
Se ela está me traindo, o que farei? Será simplesmente dizer adeus? Que inferno! Mil vezes que a terra se partisse ao meio, mas que eu não tivesse essa dúvida cravada na minha mente. Céus! Que droga. Droga, droga e droga.
Seria eu capaz de perdoá-la? Seria eu capaz de ainda ter o amor dela, mesmo ela estando com outro?
Inferno!
Poderia ser diferente. Eu daria mais atenção a ela. Faria de um jeito que ela não iria sentir nenhum prazer de está com outro. Ela seria minha. APENAS MINHA!
Não. Não pode ser...
Ela se encontra com outro cara, no meio da rua. TODOS ESTAVAM VENDO O QUE ELA FAZIA.
INFERNO! EU NÃO MEREÇO ISSO.
Seria culpa minha?
Não, não era.
Ela era uma traidora. Destruidora de corações. Eu ia MATAR OS DOIS. Eu iria mesmo. Eles se olham... Olhos de cobiça ele possuía. TINHA QUE SER VIADO. Mas não era. A mão dele desceu sobre as costas dela, trazendo-a mais perto do corpo dele. O olhar dele se prendeu ao do dela. O beijo aconteceu. Beijo demorado. Beijo longo. Beijo maldito! Os dois iriam para o inferno junto! E seria agora!
Ao tentar se aproximar, levei um tombo na poça de água que estava um pouco na minha frente. Eu tinha que correr? Claro! As pessoas olhavam para mim! Odiava ser o centro das atenções. Que droga, eles sumiram.
Entrei no carro e fui para casa. Não adiantaria nada. Eles haviam sumido por dentro das lojas. Chego cansado. Entrei em casa. Fui tomar um banho.Tirei meus sapatos, e fui largando minha roupa de qualquer jeito, na cama, no chão... Espalhados desordeiramente pelo quarto. Não teria ninguém mesmo para reclamar mesmo. Ela não iria chegar em casa nem tão cedo.
A água do chuveiro desce sobre o meu corpo. Eu precisava disso. Relaxar. Odiava ela com toda a força do meu ser. ELA NÃO TINHA O DIREITO DE FAZER ISSO COMIGO. Fecho meus olhos... Uma mão toca em minhas costas, sobe pelo ombro e para no meu pescoço. Virei o meu rosto e selei meus lábios nos dela. Possessivamente, os meus braços rodearam o corpo dela e a prendi entre o meu corpo e a parede.
- O que você pensa que está fazendo comigo, linda?
- O que você pensa que eu estou fazendo, meu nobre?
- você me enlouquece, sabia?
- e você me deixa só de mais, sabia?
Com a respiração começando a acelerar, chego mais perto dos lábios dela, sem beijar.
- quer dizer que você quer mais de mim? Se eu não puder dar, o que farás?
- vou procurar outro.
- terias coragem de me trair, mulher? - a voz saiu rude, confesso. Mas não conseguiria mudar isso. Não teria condições. Eu estava entre a vontade de fazê-la mulher ali e de fazê-la defunta.
Os olhos dela lacrimejaram, mas dessa vez não foi porque ela estava sentindo prazer por ele está tocando nela, mas porque ele segurava muito forte o cabelo dela.
- está doendo.
- me desculpe.- larguei-a. Não era intenção minha machucá-la fisicamente. Nem sei se teria coragem de maldizer ela. Ela era linda de mais. Seria um erro falar alguma grosseria ela.
- há algo acontecendo?
- não, não há.
- tem certeza, meu príncipe?
- tenho.
- estás mentindo.
- não, eu não estou.
- está sim.
- não. eu já disse que não. Quer brigar comigo? Vou logo avisando que não estou me sentindo bem.
- estás doente? O que sentes? Eu sabia que não deverias ter tomado aquele sorvete. Pegou um resfriado. Quem manda ser tão teimoso? Custa me ouvir de vez em quando?
- Não custa nada.
- Olha para mim.
- Para quê?
- Você está difícil hoje em?
- E você? O que fez hoje?
- Fiquei em casa.
- Mentira sua, eu vi você nas lojas. E, pelo que pude perceber, estava muito bem acompanhada. Quem era ele? Seu ajudante? Ou apenas alguém que preenche seu tempo quando eu não estou por perto? Ou ele preenche mais do que tempo em você?
Ela olha para mim, lágrimas surgindo nos olhos dela. Droga! Eu tinha feito de novo. Palmas Roberto! Você está machucando a sua doce amada. Isso tá virando uma brincadeira? Um jogo? Você está ganhando. Mais que droga!
- Eu estou cansada disso. Quando você melhorar me procure.
- Querida, me perdoe.
- Perdoar? Pelo o que você pede perdão?
- Por tudo.
- Que tudo? Por ter nascido? Por ter me encontrado? Pelo o que exatamente?
- Por está te fazendo chorar.
- Você me acusa de traição e me pede perdão? Você grita comigo, e pede perdão? O que está acontecendo? Eu não sai de casa. Eu ia encontrar com minha irmã, mas acabei passando mal. Você não entende?
- Você não saiu hoje?
- Não, eu não sai.
- Me perdoa, Linda.
- Por mais razão que eu tenha, eu não consigo não te perdoar. Estou magoada com você. Você não confia em mim?
Ta aí.
ResponderExcluirEu sei que é um conto longo, mas achei divertido fazer. A primeira ideia era fazer um romance, mas ele passou a ser mais dramático. Acho que virou uma comédia-dramática. Enfim, está ai.