segunda-feira, 18 de março de 2013

Promessas (capitulo 4): Lembranças.

Estranho, eu diria. Confuso, talvez. Silêncio? Não sei. Gritas? De maneira alguma. A minha imaginação me trai. Não quer ser regida pela minha razão. Ela burla do meu sono mais profundo até meu momento mais desperto do meu dia. Conheces isso? Talvez.  Se te tenho ainda no pulsar dos meus pensamentos, juro, é involuntário. Mas te peço uma coisa, não sorria quando eu estiver por perto, não toque nem um centímetro do meu ser... Sua voz, um dia, disse baixinho, coisas bobas, coisas maravilhosas para mim. Sua voz, mesmo nada dizendo isso, acalenta meu coração como o vento delicadamente acarinha meus cabelos...

Ele continuava olhando pra mim daquele jeito, como se eu tivesse feito coisas absurdas com ele. Eu já sentia que isso iria acontecer, eu já sabia disso. Ele só estava parado, olhando. Ele não iria fazer nada. Nada. E eu já sabia disso. Um profundo sentimento de perda brotou em mim. Minha mente estava, outra vez, me forçando a fazer algo que eu não queria fazer. Eu não queria fazer. É tão dificil assim? É sim. O tamanho da dificuldade está no nosso olhar, está como nós a colocamos. Eu só queria ser tão prática quanto a minha mente é. Simplesmente assim. 

...


Essas palavras estavam escritas no diário dela. Não sei o que de fato havia se passado com ela naquele dia. O que sei é que havia alguns borrões... Algumas palavras eu não consegui ler, tão menos compreender. Parecia que ela... Parecia que ela tinha chorado... Minha mãe... Ela chorava demais... Ou meu pai a provocara demais... Não sei, caro amigo ouvinte, eu estou conhecendo essa história tão bem quanto você. Nos trechos seguintes, foi com um pouco de ardor que meu pai me contou.



- Foi por isso que eu temia... – Ela dissera. Eu abrir a boca para me defender, ela ignorou essa tentativa e continuou a falar. – Eu vim atrás de você. Você só me oferece palavras. – falou isso bem lentamente, como se ela tivesse medo que eu não entendesse. – Nenhuma reação, nada. E quando você faz algo, me passas com frieza e me dando desculpas, como aquele dia que havíamos marcado o cine e simplesmente foste a outro lugar no trabalho e nem se deu o trabalho de comunicar.

- Eu já falei a você que tinha esquecido – contra argumentei – você deveria ter ligado – finalizei.

- Você poderia tê-lo feito. Poderia ter ligado... Sabe de uma coisa, esquece. Que bobagem eu falei agora, não? Como posso dizer para esquecer se você não é capaz de  lembrar-se de mim? – Ela não imaginava o quanto eu havia lamentado por causa daquele esquecimento. – De todas as coisas que passavam em meu pensar, nada, em absoluto, vem em mente em esquecê-lo. Antes eu sabia que a falta de comunicação havia feito a gente se afastar. Agora a falta de seu interesse não contribui. Eu tenho que ir... Tenho coisas a fazer... Coisas que se lembram de mim... E o curso. Tchau. – ela se levantou. Eu estava vendo dor naqueles belos olhos castanhos. Ela iria chorar. E, pelo o que eu percebi, ela não queria fazer isso na minha frente. Ela colocou a bolsa nas costas e já estava próxima a porta.

– Ei – Eu disse. Ela parou com a mão na maçaneta e ficou esperando. Ela não iria olhar pra mim. Eu tinha que fazer alguma coisa. Ela iria embora. E não sei se ela iria voltar. – Você estuda lá no P.L? – eu tinha que ganhar um tempo.

– você sabe que sim. – Ela disse ainda sem me olhar.

– Posso te encontrar mais tarde? – Arrisquei. O não eu já tinha. Eu tentava agora uma afirmação. Era somente isso que eu desejava. Uma certeza de que eu iria vê-la.

– Eu estou indo ao curso. Só largo mais tarde. – Ela ainda não olhava para mim. Como se temesse... Como se temesse alguma coisa...

– Eu a espero – eu prometi.

– Não sei. Eu ligo para você... – Ela começou.

– Não precisa ligar – Eu a interrompi. Ela se virou e olhou para mim. Olhou diretamente nos meus olhos, sem piscar. A feição dela estava duvidosa. Eu não sei o que poderia interpretar. Eu não sabia...

– Você não vai mais? – Percebi a imprecisão na voz dela. Como se ela se desse conta que eu não iria mais encontrá-la. Eu poderia dizer que... Por qual motivo eu estava insistindo agora? Eu só tinha uma leve e breve afeição por ela. Ela era bonita, alegre. Cheia de uma confiança imensurável. Não sei se conseguiria desviar meu olhar daquele simples e acolhedor olhar que ela me oferecia.

– Estarei te esperando lá.

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