segunda-feira, 8 de abril de 2013

Promessas (capítulo 5): Provocações

 A primeira vez foi intrigante, confesso. Eu estava preso naquela maldita sala de detenção e ela também. Estava um calor insuportável. Estávamos próximos demais, tão próximos que eu conseguia sentir a rua respiração na minha Bochecha. Ela sorriu pra mim, que doce sorriso. Deu vontade de tocá-la. Levantei a minha mão e passei, delicadamente, pela cabeça dela. Senti que ela aprovara.

– O que você pensa que está fazendo? - Em um salto, me levantei e deixei a gata pular em cima de mim e sair correndo.

– eu estava tentando alisar o pelo da Leitinho. Agora vai demorar séculos até eu a reencontrar... – ela tinha que aparecer justamente quando eu estava fazendo carinho naquele bichano e pensando que estaria fazendo nela? Quão... – o que você está fazendo aqui? – Sala de detenção não combinava com a senhorita Perfeitinha.

– A professora Patrícia me mandou verificar se ainda estava aqui. – ela disse.

– Mentira sua. Ela foi embora assim que me colocou aqui – eu não sabia se isso era verdade, mas não perderia essa chance. Sentei na cadeira em que eu estava sentado a cinco minutos atrás. E fiquei olhando para ela. Ela, que estava com sua aparência normal, começou a ficar meio desconcertada. Colocou a mão direita na no bolso da jeans e, depois de uma pausa de uns dez segundos, falou.

– Ela foi? – Ela estava imprecisa. Ela estava, realmente, mentindo? – Como você pode saber disso? – Mais imprecisão em seu tom. Se ela estava assim, ela não havia, de fato, se encontrado com a professora, então isso significava que...

– Ela recebeu um telefonema do pai. Parece que algo de grave aconteceu com o marido dela e ela teve que ir ao...

– Você está mentido. – Ela arguiu, com os olhos quase lacrimejando – Nada aconteceu com ele. Ela não merece esse tipo de coisa... – Ela falou isso numa mistura de raiva e dó. Ela não queria acreditar naquilo.

– Então por que você veio até aqui? – agora ela tinha que dizer.

– Eu vim aqui para ver se estavas bem. Mas pelo visto a mascote da escola estava fazendo companhia agradável a você. – Ela disse isso e se virou para ir embora. Garotas.

– Espero que não fique brava comigo. – Eu falei.

– Porque eu ficaria com raiva de você? – Ela se virou pra ficar olhando diretamente para ele.

– Nada sei sobre a professora. – Ponderei simplesmente.

– Você mentiu sobre o acidente!

Eu assenti com a cabeça. O rosto jovem dela, que antes estava triste e com olhos lacrimejando, ficou sem feição nenhuma, depois modificou para uma raiva aparentemente perigosa, ela entrou na sala e foi até onde eu estava sentado, como um trem. Me levantei, fiquei no mínimo, dois palmos mais alto do que ela. Ela não se intimidou por causa disso. Ela me empurrou, ou ao menos, era isso que ela estava tentando. Ela não queria, de fato, me machucar. Só queria extravasar o que eu a fizera sentir. Eu adorava quando eu conseguia fazer isso com ela, pois, por apenas alguns instantes, ela concentrava toda a atenção dela em mim, em mais nada, em mais ninguém. Quando notei que já a fizera ter um grande esforço em tentar me empurrar e dar pequenos socos, segurei os pulsos dela. Segurei suficientemente forte para ela não se mexer mais, mas não tão forte que a fizesse machucar. Ela olhou para mim... Ela tinha que olhar pra mim daquele jeito? Não... Como se não fosse suficiente, ela tinha... Meu santo pai eterno... Que fragrância ela tinha... Ela me atrai não só com o olhar dela, mas se eu fechasse os meus olhos, conseguiria encontrá-la de longe... Essências de Jasmim. Só poderia ser.

– Me solta – Ela gritou.

– Você não manda em mim – Falei com toda delicadeza possível.

– Você não pode me segurar desse jeito. – A voz dela traia o que ela proferia. Ela não estava se comportando como alguém que queria ser solta. Dei um passo para frente, fazendo ela ir pra trás. Dei outro e mais outro, até que ela se encostou ao quadro. Aproximei lentamente nossos lábios. Ela teve tempo de dizer que não queria, mas não o fez. Seus olhos estavam vidrados nos meus. A dúvida que eu vi neles era só uma: se ela continuava a olhar para meus lábios ou para os meus olhos. Primeiro foi um suave toque nos lábios. Percebi a dúvida contida nela. O que ela temia a final? Era só um beijo! Um simplório beijo. Mas algo de estranho aconteceu quando eu aprofundei o beijo. Algo debateu em meu ser. Algo me fazia... Era estranho, mas era suficiente bom para desejar prolongar o contato. Escutei algo estranho... Um som de prazer saíra da minha boca? Ou era do dela? As minhas mãos que, há cinco minutos estavam prendendo os pulsos dela, soltei. As mão direita dela subiu até a minha nuca e a agarrou, fazendo com que o nosso contato fosse mais certeiro, prolongando ainda mais o que eu estava sentido. Será que ela sentia o mesmo que eu? Minhas mãos, só Deus sabe como, por vontade própria, fincou no rosto delicado dela. Ela era... Meu! Alguém conseguiria me ajudar em definir? Se com apenas um contato de um beijo como esse acarretou tais sensações... Não sei o que aconteceria se algo mais... Mais... Mais... Mais íntimo acorresse.

Alguma coisa no corredor fez barulho... Algo quebrando, talvez. O som não foi lá essas coisas... Mas por maldição de algum invejoso leitor! Desculpa, quero realmente dizer que... Por maldição de algum invejoso, foi suficiente para interromper o nosso contato. Eu olhei pra ela. Ela olhou pra mim. Será alguma espécie de sentimento de culpa que eu vi nos olhos dela? Ou seria medo? Ou seria... O que seria? O que, em definitivo, seria?

Eu sorri pra ela... Ela, depois de hesitar um pouco, sorriu. Uma sombra apareceu no corredor. Não ligamos. Poderia ser a Leitinho. Um “hum-hum” foi proclamado, o que nos fez olhar para a porta aberta.

– O que vocês dois pensam que estão fazendo? – era a professora Patrícia. O que ela tinha que está fazendo aqui? Ela bem que poderia ter me esquecido e ido embora.

– Professora... É... Hum... Nós só estávamos...

– Vocês só estavam...

– Eu tenho que ir professora. Desculpe. Eu tinha... Eu tinha...

– Você tinha...?

– Eu tinha esquecido minha caneta com ele. Agora eu tenho... Eu tenho... Eu tenho que ir. – Ela acenou para a professora e pra mim. Afastou-se de mim... Aquilo ali tinha sido terrível... Eu a queria mais próxima de mim... Eu não queria que... Ai que ódio! Antes eu gostava de barbarizar as aulas para aparecer na sala de aula. Eu sei que isso irritava muito os professores. Mas agora seria sério. Eu não mais iria me comportar na presença dessa professora! Eu estava com ódio mortal dela. Seria guerra! Ai que droga!

– Certo... Mocinha. – Ela se virou e ficou olhando para a professora. – Não quero ver você andando por ai, à uma hora dessas, com pessoas como... Pessoas que vivem na sala de detenção. – E ela olhou pra mim...

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