sexta-feira, 26 de abril de 2013

O Armário

Cheguei par visitar a casa que seria alugada para a nossa temporada de férias em Olinda. Todos os anos o grupo do trabalho decidia ir para um lugar diferente. Trabalhávamos para uma agência de viagens e o nosso setor era justamente de criar crônicas para despertar a fantasia dos clientes. 
Entrei na casa. Era bem ampla e espaçosa. Em todos os quartos havia banheiro. A cozinha era bastante cômoda, assim como os outros ambientes. Quando eu ia ligar para a minha chefe, descubro que a casa já tinha sido escolhida e que as pessoas do meu trabalho já estavam a caminho. Fui até a minha casa e peguei as minhas coisas, o que acabou me deixando para trás e eu acabei pegando o último quarto. Ao entrar lá descubro que não tinha um banheiro para mim. Eu estranho isso. Não que eu fizesse questão de ter um só para mim, mas a dona da casa havia me dito que todos os quartos possuíam um. Deixei as minhas coisas de lado e fui organizar os papeis que eu tinha trazido, coisa pouca, só pra reler e fazer alguns planejamentos. 
Estava tarde e percebi que todos estavam dormindo. Deito na cama. Escuto um 'pic poc, pic poc'. Acordo e fico deitada. Afinal, de onde vem esse barulho? Virei a cabeça de vagar e olhei para os lados, mas, infelizmente, o quarto estava escuro. Respiro duas vezes e viro de lado. Outra vez escuto um 'pic poc, pic poc'.  Me levanto e ligo a luz. Não havia nada e nem ninguém fazendo barulho no meu quarto. Olho para o relógio e vejo que eram apenas três e meia da manhã. Belo começo de férias. Sai do quarto e fui para sala. Percebi que todos dormiam, todos menos eu. Vou a cozinha, tomo um pouco de água e volto para o quarto. Outra vez escuto um 'pic poc, pic poc'. Olhei para o relógio. Eram três horas e quarenta e dois minutos. Céus! Eu já estava me aporrinhando. Seria alguma brincadeira? Ou a casa estava com defeito? Ah, claro! Para alugar a casa ninguém conta todos os detalhes da casa. Me levanto e vou procurar de onde vem o som. O som vinha do armário. Do armário? Que saco! Como eu não imaginei isso? Mas isso não era som de ranger da madeira, parecia... Parecia... Parecia outra coisa. Abro uma porta, nada. Abro outra, nada. Havia apenas uma terceira porta. Abri. Tinha um tapete no chão. Um tapete no armário? Entrei. O armário era embutido e era enorme. Me cabia dentro. Achei estranho, mas depois que o tapete terminava, percebi que eu entrei em um outro quarto. Encontrei o interruptor de luz e liguei. Fiquei surpresa pelo o que eu encontrei. Era um banheiro completo e todo rosa. Eu cheguei a pensar que estava sonhando ou sei lá, qualquer coisa que não fosse realidade. Mas estava lá. Quem iria acreditar que uma das portas do armário, daquele imenso guarda-roupa, era a entrada do banheiro?  Aquilo ali era um guarda-roupa-guarda-banheiro. Isso daria uma ótima crônica... Mas será que alguém iria acreditar nesse armário de Olinda? Ou iria achar que seria apenas uma crônica?

Nenhum comentário:

Postar um comentário