terça-feira, 23 de abril de 2013

Táticas do coração - Parte 5

Já leu a Parte 1, a Parte 2, a Parte 3, e a Parte 4

No sábado,
Eram 14:57 quando recebi a seguinte mensagem: Lah, não poderei ir ao shopping com você. Tenho uma coisa a resolver...
Eu já estava me preparando para ir tomar banho. Eu estava animada. Eu sabia que poderia ser hoje. Ao menos eu saberia a resposta disso. Se eu conseguiria ou se isso não iria rolar. Mas essa mensagem me desandou completamente.
Como resposta eu mandei:  Esperou até agora  para dizer isso?
Ele poderia ter dito isso mais cedo.
Eu: Tas fugindo de uma mera conversa?
Por qual motivo esperou até essa hora?
Ele respondeu: Não, apenas vou à um enterro.
Para uma mensagem de celular, foi bem formal. Ele até usou a crase. Talvez por ele querer demonstrar que sabia como usava ela. Sendo que não se usa, não nesse caso.
Minha resposta: Lamento.
Lamentava mesmo. Mas coloquei assim, só com uma palavra, para não definir exatamente o que lamentava. Eu queria ter saído com ele e também não gostava da ideia de enterros. Minha resposta havia sido para ambas as ideias.
Como eu estava na internet, continuei lá.
Ele respondeu: Não parece que lamenta, mas enfim, desculpe...
Jurei que estava havendo numa certa cumplicidade. Não respondi pra ele. Continuei o que eu estava fazendo. Estranhei quando, pouco de 45 segundos depois, recebi uma nova mensagem. E era dele. Por qual motivo ele estaria enviando aquela? Não tinha ideia. Não era de costume ele fazer isso.
Ele dizia que: Agora que eu soube, não seja inconveniente.
Eu: Hã?
Inconveniente? Por que ele me chamaria assim?
Mandei outra resposta: Já fui a um enterro antes e não gostei. Sei muito bem o que é ver o findo de uma vida. Nunca seria assim.
Eu tinha ido a um e a sensação foi terrível. Eu fiz um acordo comigo mesma de só a ir outro quando fosse de alguém da família, alguém que eu lamentasse de ver nunca mais. Como alguém poderia me chamar assim? Inconveniente? Por isso? Acho que essa foi a segunda vez que ele usava uma qualidade na qual não me pertencia.

No domingo,
Mandei a mensagem: Olá! Ao garoto que se assemelha a um nobre cavalheiro, que está pronto para ajudar a uma amiga que precisa ser medicada, ou quando acompanha a uma cerimônia de despedida de um ente amigo, só desejaria, no momento, que uma brisa silenciosa passasse por ti como uma carícia em seu rosto.
Não sei ao certo se acreditei muito no lance do enterro, mas verdade sendo, era um ato legal. Gostaria, mesmo, que ele dirigisse essa legalidade para mim.

Terça-feira,
Falei com Dih. Ela tinha vindo toda expectante pelos resultados. Eu relatei por alto o como havia sido. Ela olhou para mim e disse "por que as pessoas sempre escolhem morrer na hora de encontros?". De certa forma, essa passagem era compreensiva. Eu disse pra ela, quando estávamos no ônibus a caminho do trabalho, que eu estava perdendo o interesse por ele. Ela disse que isso estava escrito na minha testa. Que estava claro. Mas uma voz, bem lá no fundo do meu âmago, dizia para continuar.  Eu falei a ela que queria mesmo falar com ele, que estava imaginando se seria possível ou se eu devia deixar de lado. Ela disse para mim que eu deveria ligar para ele, mandar uma mensagem, já que o encontra face a face estava demorando muito, e dizer o que eu queria dele, de que eu estava afim dele. Liguei para ele, lá do estágio. Perguntei se ele tinha tempo para falar. Ele, pelo o que pareceu, não estava dentro de casa. Não sei se ele estava na rua próxima a ela ou do trabalho. Ele disse que a presidente  iria para o trabalho dele. Não sei qual era importância que ele tava dando a uma signoplória visita dela. Com os devidos ajustes, eu comecei a falar com ele. Disse que eu queria poder sair com ele, a beijá-lo, a mandar essas mensagens bobas e deliciosas que se é permitido para um namoro. Mas, enquanto ele falava, comecei a perceber que a ligação estava muda. Talvez, pelo meu nervosismo, estaria tudo bem. Mas quando eu parei de falar, esperei pela resposta dele, e não ouvi nada. Falei algumas coisas a mais e esperei novamente pela resposta dele. Nada. De repente a ligação foi perdida. Foi desligada. Sei que eu me coloquei nessa situação. Mas acho que ele poderia ter dito algo. Um sim ou um não. Mas que dissesse alguma coisa.

Quando voltava para casa, eram 19:59, mandei a mensagem: Oi! Tudo bem? Tirou alguma foto com ela? A diferença de ter falado aquilo com você  na minha frente é simples: Eu poderia saber a resposta só com a expressão de seu rosto. Eu gosto de você Lucas. O que você diz?

Ele não respondeu.

Quarta, Quinta e Sexta-feira
foram dias que eu estava numa jornada de cursos numa faculdade. Quarta enviei para ele: Olá! Já se sentisse jogado numa máquina de lavar roupa numa espécie de lata de sardinha? A ideia de pegar CDU todos os dias não é muito confortável. Mas acho que 'talvez' o tempo ajudasse. Ainda bem que o congresso sós são 3 dias. Não sei se sabes, mas temos que ter cerca de 200 horas de trabalhos complementares. Tem umas palestras que vale a pena ir, outras nasce uma vontade tremenda de ter asas e sair voando. Tenha uma gloriosa noite.
Eu pensava nele direto. Eu queria isso.
Na sexta eu telefonei para ele. Ele estava com o primo dele. O mesmo do dia do cinema. Falei com ele.  Ele disse " A senhorita ainda não me disse o que você queria dizer". Algo bom passou nas minhas veias quando ele disse isso. Perguntei o que ele iria fazer no sábado. Ele me respondeu que só iria sair com a mãe e com esse mesmo primo. Perguntei se poderia ser amanhã, se poderíamos nos encontrar. A resposta que obtive foi de eu ligar a tardizinha para saber. Desliguei. Algo me dizia que aquilo era algo bom mas que eu não me preparasse para vê-lo amanhã. Tentei não pensar nisso.

No sábado...
Quando deu 14:00 horas, liguei da minha casa para ele. Uma voz masculina  atendeu. Ele não estava com o celular. Havia saído e não tinha levado...
Retornei as 15:00 e... Disparou.

Segunda feira,
Falei com a Dih. Ela me motivou mais que qualquer outra coisa. Ela é uma pessoa maravilhosa. Ela não me via como se eu estivesse envolvida num lance de adolescente, mas como eu mesma via. Um desejo de concretizar, de tentar algo que antes tinha sido esquecido. 
Liguei pra ele, perguntei se ele tinha tempo para falar, ele disse que sim. Falei o que veio em mente, que me descobrir que gostava dele, que gostaria de namorar ele. Mas não queria num futuro, queria agora. Ele respondeu, ou começou, que não saberia responder prontamente, pois havia saído de um relacionamento a pouco tempo. Eu repliquei, dizendo que não faria isso se não fosse pela conversa que havíamos tido no msn. Adicionei que talvez eu tivesse interpretado errado. Ele respondeu que eu não tinha interpretado mal, mas que precisava pensar. Eu imaginei que ele poderia dizer sim ou não. Não pensei nessa parte do talvez. Ele perguntou se poderia ter esse tempo. Eu pensei um pouco e perguntei quanto tempo. Ele não disse o quanto. Um tchau simples foi dado e eu desliguei.

Terça-feira,
Falei com Dih o que eu tinha feito. Ela me aconselhou. Ela me acalmou. Disse para eu só ligar no final de semana e era isso que eu iria fazer. Pensei em dar uma semana. Não mais que isso...

Quarta, quinta, Sexta-feira,
Pensei algumas vezes nele, mas tentava me ocupar o máximo para isso não acontecer.

Sábado e domingo,
No sábado, liguei para ele de casa, as 22:00 horas. Disparou.
No domingo, liguei, ocultando o meu número. Mas ao atender e quando eu me identifiquei, ele desligou...


Passei por esses dias pensando nele. Pensei no que seria reatar. Mas a chama que clamava no peito foi envenenada pela ausência de informações, com o novo silêncio dele. Talvez o prazer de conquistar seja menor que ser conquistada. Sei que penso que fui até onde eu pude. Agora é seguir em frente e deixar de vez esse capítulo que pertence ao meu passado. Reescrevi o que pude, acreditei em algo que pensava em ser real. Mas acho que a minha imaginação se superou dessa vez. Eu retiro o meu pedido. 

Terça feira,
Lih chega para mim na sala e diz : “Quem é esta pessoa?”. Eu não tinha dito nada a ela. Eu disse “não vai ficar brava comigo?” Quando eu disse isso a ela, ela soube na hora. O nome dele era Lucas Henrique e já havia contado a ela sobre ele, como LH. Quando ela olhou para mim, com aqueles olhos de nove e quarenta, que era típico dela, eu já sabia que ela tinha adivinhado. Ela disse “LH?”. Quando ela percebeu a minha afirmação, ela continuou “Eu, Brava? De jeito nenhum, Lah. Eu sei muito bem o que é isso. Só espero que não aconteça a mesma coisa que houve comigo... Foram quatro anos perdidos.



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Nota: Isso é apenas uma história. Estava no meio dos rascunhos. Terminei esta parte a mais de um ano atrás. Comecei a escrever Táticas do coração 2, mas não foi finalizado. Me perdi no meio do caminho e não sei se vou continuar a escrevê-lo.
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