terça-feira, 30 de abril de 2013

A bicicleta

Todos os dias eram a mesma coisa: ônibus lotado, gente fazendo barulho. Mesmo cansado, não tinha o direito de vir sentado. Quando podia, via o mar de Olinda pela janela. As vezes era divertido. Certa vez, no centro do Recife, uma dessas vendedoras ambulantes de pipoca, subiu no bus e vendeu algumas. Ela desceu. Algumas paradas depois ela subiu outra vez. Teria ela notado que havia pego o mesmo ônibus? Enfim. Num dia desses, na parada de ônibus, reencontrei uma antiga velha amiga. Conversa lá, conversa cá, descubro que a avó dela morava numa parte do caminho, em frente a praia. Ela havia me contado que ia de bicicleta ao trabalho. Me interessei pelo fato. Perguntei se assim eu poderia fazer. Questionei-a  se eu poderia deixar a minha bicicleta na casa da avó dela.
Dias depois já comecei a fazer isso. Todos os dias, na mesma hora, saia e andava de bicicleta parte do caminho...
Algumas semanas se passaram e era o mesmo ritual.
Houve um dia que ele deixou a bicicleta lá, antes de sair viu a senhora dona da casa. Sorriu para ela. Ela fez o mesmo gesto com os lábios para ele. A tarde chegou e ele não voltou para buscar a bicicleta. Dias, semanas, meses e anos se passaram, e ele nunca voltou a buscar a bicicleta...


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